sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
2000 Inove
Inovar então, é a proposta. Viver também.
2009 é o meu.
sábado, 20 de dezembro de 2008
Salão de Beleza
Hoje revivi duas só de entrar no salão. Uma, que aos seis anos ele fez um escândalo por confundir uma pinta que tenho na cabeça com um piolho grande. Pequena, tive que acalmar os ataques da bicha; A segunda foi na minha formatura de Psicologia, que ao fazer o penteado encontrou um parafuso solto nos meus cabelos. O troço havia caído do secador e ele começou a gritar pelo salão: Gente! Gente! A Psicóloga tá perdendo os parafusos da cabeça! Sei lá se esse parafuso era mesmo do secador...
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Minutos
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Eu e ela frente a frente
Quando cheguei, não acreditei. Sua casa na França é um dos lugares mais interessantes que já vi. Imensa, com vitrais piramidais. Passei direto em tudo que eu via e fui como uma bala em sua direção. Estava lá. Parada, rodeada de gente. Assustei com o tamanho dela, decepcionei-me um pouco. Mas ela olhou pra mim e eu pra ela. Monalisa. Gioconda de Leonardo, meu artista favorito, acima de Dali. Ela olhava pra mim onde quer que eu estivesse. Perfeição dele...
No entanto, vinte segundos me bastaram. Virei e de frente à ela uma obra maior. Linda, exuberante. Bodas de Canã! Figuras humanas em tamanho real. Monalisa era irreal no tamanho. Dei costas a ela. Vi com os meus olhos o seu sorriso meio irônico, cínico talvez. Dei costas para suas rugas e sua acomodação típica de quem tem na barriga o rei. Em frente às Bodas, fiquei quase uma hora inteira. Cada detalhe levaria muito mais horas para decifrá-lo todo. Senti uma dorzinha na coluna e sentei. Mas tive que voltar lá. E quero voltar até hoje.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Esperança
Vem à memória alguém que está aprendendo a caminhar. Não tem coisa mais bonita que ver alguém aprender a caminhar. Por mais que um outro ensine, que pegue na mão, é uma conquista solitária e de muita determinação. E cai. Como cai... e talvez chore a queda mas a vontade de ficar de pé, seguir, é a grande motivadora do processo. Quem já viu a cena não esquece. O aprendiz olha pra baixo, calcula em segundos o passo seguinte, as vezes nem calcula, vai por instinto! E tem um momento que olha pro Outro como se perguntasse: Eu consigo? E sozinho, precisa, nessa fração de tempo ,de um olhar que seja desse Outro enorme que vá dizer: Tente!
E tamanha grandeza há na tentativa de dar passos a frente. Caindo, levantando, seguindo caminho inverso às vezes, andando pra trás e ,ainda assim, a possibilidade de seguir e conseguir.
Há os que não tentam nunca. Os que não suportam outra tentativa fracassada. Fracasso é não seguir. Estagnar, desistir. Por vezes o caminho consiste em recolher-se sim, mas de uma forma que possa entrar em contato com o que lá dentro te faça ter ânsia em planejar, querer, desejar novamente uma outra tentativa. É espera ânsia. Esperança. Demasiadamente des coberta do que nos jogaram sem perguntar se queríamos. Necessário claro. Não se pode negar sempre.
Mulher

Ser mulher é adentrar o mistério do dueto perfeito-complexo. A capacidade de gerir a vida é o que justifica a primeira parte. A segunda, todos conhecemos bem. É que algo nos falta por natureza e pra sempre haverá a insatisfação dessa falta que nunca é preenchida. É estrutural e constituinte da nossa personalidade feminina. Pelo mesmo motivo, queremos tanto! É que onde há falta é que nasce o desejo e se tudo foi tamponado, não há como desejar. Por tanto e tamanho mistério, somos às vezes incompreendidas...
É fato que não se muda a natureza, mas quando há disponibilidade de nos conhecermos melhor, os efeitos dela são minimizados frente ao que descobrimos. É fascinante e vale a pena.
Chuva de Natal
I Hope peace!
Queria dizer que a sua vitória não trata apenas de uma possibilidade de nova política americana, nem do fato de ser o primeiro negro no comando da mais poderosa nação. A vitória de Obama significa uma nova dinâmica social. O fim de cotas para negros, porque é o fim das possibilidades intelectuais sobre a cor da pele.
Não é um presidente que se faz vítima social. É um lutador, que foi atrás dos estudos, que procurou ser melhor e contribuir com a sociedade em mais de dez países em que morou com sua mãe, uma antropóloga que o ensinou a respeitar diferenças e fazer diplomacia.
As responsabilidades e expectativas que Barack Obama carrega, não encontram paralelo na história recente. Foi uma vida inteira de convivência com os problemas sociais e questões multiétnicas.
Sei que há uma esperança com isso, ainda que estejamos calejados. Ele já indicou para o seu governo Steven Chu para secretário de Energia. Uma pessoa que ganhou o nobel de física em 1997 e que é chefe do laboratório considerado líder mundial de pesquisas de fontes limpas de energia. (esqueci o nome do laboratório)
Ótimo começo não só para os EUA, mas para o mundo.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Se avexe não

Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada
Se avexe não
A lagarta rasteja até o dia
Em que cria asas
Se avexe não
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa
Se avexe não
Amanhã ela pára na porta
Da sua casa
Se avexe não
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexorávelmente chega lá
Se avexe não
Observe quem vai subindo a ladeira
Seja princesa ou seja lavadeira
Pra ir mais alto vai ter que suar A natureza das coisas"
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Fronteira
O limite entre razão e loucura há muito é motivo de indagação humana. Parece, às vezes, que essa fronteira é um traço tênue, frágil, que pode se romper com um sopro.
Fronteira fala disto. É um filme nacional, mineiro e com gente mineira na atuação. O filme não vende pela nudez banalizada e nem por ser tema da moda. Vende por poesia e reflexão acerca das próprias fronteiras de cada um de nós. " A verdade está ali, bem atrás daquela porta." Quem quer encontrá-la?
O Fronteira está no Belas Artes, em Belo Horizonte.
Relato
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Olhar
Companheiras

Minhas botas são companhia frequente. Já pisaram a beira do rio Jequitinhonha, o Pico da Ibituruna, o Louvre, o mar de Veneza, a Inglaterra, a festa de 15 anos da minha prima, o Palácio das Artes e o boteco da esquina. Foi um amigo japonês que me ajudou a escolhê-las e hoje sinto muito a falta da amizade dele e das conversas estranhas sobre circuitos elétricos, relativismo cultural e mudanças compulsórias. Sinto falta imensa de sair por aí pilotando um carro esquisito no mato, de afundar na lama e de dar gargalhadas seguidas de palavrões. Enfim, que aliás é vício de linguagem dele, "existem mais coisas sobre o céu e a terra do que nossa vã filosofia" sobre as coisas. De tudo fica um pouco, de todo pouco se faz um muito e continuamos por aí. Firmes e fortes como as minhas botas que nunca se acabam.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Luta contra AIDS

Hoje é dia mundial da luta contra AIDS. Síndrome de imunodeficiência adquirida que é considerada o mal do nosso século. O dia de luta contra essa doença é todo dia, uma vez que 1400 pessoas são contaminadas por dia no mundo todo. ( No Brasil 30 pessoas por dia!)
A prevenção é o melhor remédio contra a AIDS. E o preconceito, seu pior inimigo...
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Pequena Coisa pro Planeta

Foi assim que eu e o Hugo, um amigo que mora em Goiás, decidimos criar o blog Sustentabilidade. É uma pequena coisa pra ajudar o planeta...
foto: Tatiane Cristiane Pokrywiecki
terça-feira, 25 de novembro de 2008
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Solidariedade
Mas queria contar aqui dois casos que eu presenciei e que ficarão guardados pra sempre como lição de solidariedade. Um aconteceu no meu bairro mesmo. Há dois anos levei uma cartinha à uma loja de calçados e pedi ajuda para escolher a sandália que a garotinha pediu. A dona do estabelecimento ficou sensibilizada e pediu para ver outras. Eu mostrei uma que tinha: "Papai Noel, meu grande sonho é ganhar uma caixa de sucrilhos". Então a comerciante me disse: Renata, venha aqui amanhã que lhe darei algumas coisas que eu juntar. Pois bem, no dia seguinte ela me entregou 99 pares de sapatos para todas as crianças do projeto que eu participava na época. Sapatos novos, brilhantes e coloridos. Não consigo escrever o que as crianças sentiram quando receberam, muitas pela primeira vez, um par de sapatos. Nunca pude fazer outra coisa senão agradecer a comerciante que se chama Normélia. Desejo, sinceramente, que esta pessoa receba muitas coisas boas em sua vida.
O segundo caso é de Governador Valadares, onde um garotinho internado com câncer escreveu uma cartinha dizendo que o seu desejo era um caminhão de bombeiros. Por providência divina, aquela cartinha caiu nas mãos de um bombeiro que fez mais que dar o caminhão de brinquedo. Ele foi com o caminhão de bombeiro DE VERDADE até o hospital, entrou pela janela do quarto que estava o garotinho e o levou em seu colo para dar uma volta na cidade no próprio carro dos bombeiros. Quem consegue imaginar o rostinho dessa criança?
Notícia boa não vende jornal, mas ficarão registradas aqui pra ninguém esquecer que solidariedade existe e vai existir pra sempre...
Quem quiser participar do Projeto Papai Noel dos Correios é só ir a qualquer correio da sua cidade e adotar uma cartinha. Os correios se encarregam de entregar o presente às crianças.
domingo, 23 de novembro de 2008
Cashback
Assisti esse filme que se chama Cashback. É muito bom. Fala de Ben, um cara que sofria de insônia porque havia terminado um relacionamento. Ele começou a imaginar que podia parar o mundo e as coisas e assim experimentou algo que o levou a crer em novas possibilidades de amar. Gostei muito.
Liberdade



sábado, 22 de novembro de 2008
Dá gosto de ver
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Consciência Negra?
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Coincidências?
Gosto
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Frio
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Balzaquianas
Ana Paula é uma guerreira. Engenheira civil, (das melhores) trabalhou comigo no desafio chamado Irapé: Usina hidrelétrica no Vale do Jequitinhonha. Foi no trecho que nos conhecemos, na lama, nos caminhos mais complicados. Dividimos carro, quarto de hotel, comida, medos e sonhos. Despedimos e nos reencontramos novamente depois de um ano na usina de Baguari em Governador Valadares. Dividimos um prédio, cafés da manhã com muitas conversas, final de novela das oito e muitas, muitas alegrias.
Juliane, pela falta de palavras que a define é uma "coisa". Mulher dócil, humana, capaz e grande jornalista. É carioca da gema que se perdeu (ou se achou) por entre montanhas de Minas Gerais. Está láaaa em Rondônia agora e também nos conhecemos em Governador Valadares. Por algum tempo éramos eu e ela naquela cidade, naquele trabalho. Dividimos angústias, revoltas, piscina, fotografias, povoados, alegrias, decepções, sonhos e lágrimas.
Convivíamos no trabalho e nas horas de folga. Impressionante como era tudo harmônico, sem as picuinhas usuais que existem nos ambientes de trabalho com competições e mesquinharias. Nunca tive equipe como esta, nem antes e nem depois.
Pois bem, tínhamos um chefe e ele dizia: "Essa geração de 1978 é terrível!". E é mesmo. Neste ano todas nos tornamos balzaquianas. Balzaqui Ana, Balzaqui Ju e Balzaqui Rê. Cada uma num lugar, mas sempre juntas, ainda que distantes, na principal obra do ser humano: Amizade...
sábado, 8 de novembro de 2008
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
O soninho do João Pedro
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Coração na mão

Resolvi sair da toca. E num entusiasmo com a vida aceitei até música sertaneja em boite. Quem diria! Mas esse universo noturno, das gandaias e afairs, definitivamente passa longe do que tenho realmente prazer. A noite me traz um vazio quando me deixo perder no que eu não sou. Senti meu coração na mão diante das lembranças de um tempo que eu era satisfeita em não ter que sair a noite pra me divertir. Chorei. Lágrima boba que não ajuda em nada, só faz doer.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Meu avô e o Galo
Casamento
O casamento da Marina vai ser uma celebração para poucos amigos e familiares. Será num sítio e ela ficará com os pés no chão, junto com seu noivo, o Pedro Ivo. Os dois acreditam que uma cerimônia pra ser especial tem que ser íntima, simples.
Foi pensando na simplicidade então, enquanto virtude mais difícil de ser alcançada, que resolvi aceitar o convite. Nunca fui padre na vida, nem monge. Mas acredito que não há outras mãos melhores para abençoar aos que amamos do que as nossas próprias mãos. É disso que vou falar e é na simplicidade que vou fazer. E a Marina ensinou isso, numa fração do amor que ela tem, inclusive por mim, quando me escolheu: gente humana, imperfeita, pequena; pra celebrar o seu dia de alegria.
Estudando a simplicidade vi que o seu contrário não é o complexo, mas sim o falso que nos distancia da nossa essência simples, do que precisamos pra sermos felizes realmente. Admiro a Marina por estar no caminho dessa virtude. Desprender-se das coisas, dos dogmas , das regras e apostar numa coisa só: o amor...
Sinto-me agradecida e espero saber encontrar as palavras merecidas para um momento único e especial.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Reiki

Ontem, dia primeiro de novembro, fui iniciada no Reiki. Descobri essa terapia tibetana, que manipula a energia vital com a técnica de imposição de mãos e visa o estabelecimento do equilíbrio energético, promoção de saúde e bem estar.
A iniciação foi especial. Senti como é possível canalizar essa energia para o bem e dentro de mim. Foi um dia importante, um presente generoso do universo que agora posso usar para fazer o bem a outros também.
O Reiki é mais que uma técnica terapêutica oriental. É para mim, doação de amor.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Força
sábado, 25 de outubro de 2008
Mundo ao avesso
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Separação
domingo, 19 de outubro de 2008
sábado, 18 de outubro de 2008
Experiência do feijão
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Subidas e descidas


Subidas e descidas são exercícios constantes em minha vida. Riscos naturais de quem anseia por liberdade e intensidade nos dias. As vezes com isso vem quedas e elas chegam a doer. Muito. Outras vezes passam despercebidas e o movimento continua. Sei que subir nem sempre é bom e descer nem sempre ruim e o negócio é cultivar uma certa serenidade para reserva em momentos de tensão de corda. Entendo hoje que descer pode ser proveitoso se eu conseguir parar de olhar a meio metro do nariz e vislumbrar os milhares de acontecimentos que acontecem a volta e em mim mesma. A nuvem anda rápida, a formiga leva o alimento pra casa, o homem trabalha, a célula multiplica. Muita coisa acontece enquanto perco o tempo olhando a um palmo de distância. Dá pra ir além... Hoje quando desci uma grande queda, cheguei lá embaixo com outra cara, energia diferente. Meu sorriso curou a mim mesma com a alegria de poder fazer essa proeza novamente. Pisei no chão, desci tudo que podia, mas isso não me afasta de mirar o céu e agradecer, principalmente.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
sábado, 11 de outubro de 2008
Hoje
Assisti um desenho animado que me encucou uma questão.
Havia um pergaminho com um segredo secreto que dava poder a quem tivesse o alcance dele, no entanto quando o personagem (no caso o kung fu panda) pegou o tal pergaminho, viu que ele estava em branco.
Procuramos a vida toda por coisas que nos dêem poder, que nos ajudem, que nos tragam sorte... e no final o grande segredo é uma folha toda em branco. Tudo que precisamos está exatamente dentro de nós e de tão perto que está a chave que abre tudo, não enxergamos... entra então outro filme que assisti na semana passada: o Ensaio sobre a cegueira. De tanto não enxergar o que vale a pena na vida, ficamos cegos sem saber como e até quando. Cegos, somos quase bichos...
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Tempo
domingo, 5 de outubro de 2008
Trinta anos
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Pequenez

quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Anna
* Vamos fazer uma exposição de fotos sobre o Brasil juntas, em dezembro, na França.
Ferro
domingo, 28 de setembro de 2008
Desejo profundo
sábado, 27 de setembro de 2008
Mãos
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Pensamento
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Jacó e Matheus
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Medo
Cuidado da alma
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
A nuvem
O Corpo
Se você pudesse ver seu corpo como realmente é, nunca o veria repetir-se. Noventa por cento dos átomos de nosso corpo não estavam nele há três meses. De certa forma, a configuração das células ósseas permanece a mesma; no entanto, átomos de todos os tipos atravessam livremente as paredes celulares, o que significa que adquirimos um novo esqueleto a cada três meses.
A pele se renova a cada mês; adquirimos novo revestimento no estômago a cada quatro dias com a renovação constante da superfície que entra em contato com os alimentos a cada cinco minutos; as céluas do fígado se renovam de modo mais lento,mas novos átomos flutuam tranquilamente através delas, como a água do leito de um rio, fabricando um fígado a cada seis semanas. Mesmo no interior do cérebro, cujas células não são substituídas depois que morrem, o teor do carbono, nitrogênio, oxigênio etc. é hoje inteiramente diverso do de um ano atrás.
O corpo humano continua parecendo o mesmo, dia a dia, mas através de processos de respiração, eliminação e outros vive em constante sistema de troca com o resto do mundo..." (Chopra, Deepak. A cura quântica.)
A cada dia você pode ser alguém diferente...
sábado, 20 de setembro de 2008
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Mineirês
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Desconforto
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Encomenda por sedex
Recomeço
Resolvi então ir embora para outro lugar: a Austrália. Tenho amigos queridos por lá que seriam minha referência no momento difícil que eu estava. Comecei a juntar os papéis, a organizar os passos para o visto. Numa agência escutei: "a única coisa que você não pode ter para ir para a Austrália é tuberculose, porque eles desconhecem o tratamento da doença e não tem nenhum caso no País. Está tudo bem com seus pulmões ne?". Óbvio que estava, pensei.
Os dias foram passando, e cada vez mais eu me dedicava a procurar coisas sobre o curso que eu faria no outro lado do mundo. Já não saía muito do quarto, queria que passasse logo os dias e que chegasse a hora de embarcar. Parecia uma fuga. Mas era mesmo e eu tinha todos os motivos pra querer fugir daqui. Não ia pagar um preço tão alto de deixar minha família aqui à toa.
Até que os dias foram ficando longos demais. Estava incomodada com minha falta do que fazer, uma vez que sempre fui de fazer tanta coisa de uma vez só. Decidi atender umas crianças num abrigo aqui perto de casa, até o momento de ir embora. E no primeiro dia de trabalho, senti calafrios e um pequeno mal estar. Cheguei em casa, coloquei o carro na garagem e fui para o meu quarto. Não consegui chegar até minha cama...de repente uma falta de ar absurda, muita tosse e muito vômito. Fui levada para o hospital, tomei um pouco de oxigênio e já estava me preparando para voltar quando o médico disse: "Renata? está bem?". Estou sim, já quero ir embora. Pode não querer esse remédio para o vômito porque já passou? Ele disse: " Não, vai ser necessário tomá-lo mais um pouco." Pensei: nem podemos escolher o que achamos ser melhor pra gente, mas paciência, esperar o outro pra me liberar. E o outro veio. Dirigindo-se à minha mãe disse: "Como ela chama?" Eu disse: Renata! "Ó, seguinte, vou ter que te internar, seu raio-x não veio bom não". Falei: Mas eu estou bem, posso ir pra casa e voltar amanhã? Ele disse que não...
E aí começou uma história difícil, mas muito importante. No outro dia cedo, eu estava isolada, com pessoas usando máscaras pra chegar até a mim, e com o recado que um pneumonologista viria me visitar em breve. Ele veio, conversou comigo e disse: "Renata você tem um quadro avançado de tuberculose, vamos ter que fazer alguns exames". Eu estava com o oxigênio e o aparelho de nebulizador no nariz. Tirei os dois e falei com ele: Tuberculose?!? Tô no século dezoito? E ele já foi logo voltando com o aparelho pro meu nariz.
Dessa parte até a que estou hoje, gostaria de passar uma borracha. Esquecer os dias de cama, de vômitos, de fraqueza. O importante é que tive mais de 26 dias para pensar no porquê de tudo isso comigo. Como eu tinha tantas lesões nos pulmões e como isso foi se alastrando dentro de mim. Parei de perguntar o porquê, e comecei a bater no pra quê! E fui encontrando muita sujeira que eu guardei debaixo do tapete, muita mágoa, tristeza, decepção. O tratamento iniciou e fiquei internada três vezes por conta dele. Os remédios pra mim eram como bombas que explodiam a doença mas todo o meu organismo também. E eu só vomitava, vomitava, vomitava.
Nesses dias, apareceu muita gente pra ajudar. Uma ajuda que não necessariamente tirava o meu vômito ou a minha perda de peso ou minha fraqueza. Mas ajuda humana, que me fazia acreditar que aquilo tudo ia passar uma hora. Minha família é única, especial, diferente. Meus amigos são preciosidades que não se encontram mais por aí. Algumas pessoas seguravam minha cabeça enquanto eu vomitava, e essa ajuda pra mim era a maior do mundo naquele momento, porque eu de tão fraca, não conseguia segurar o corpo. Outros, faziam preces em silêncio, abastecendo o meu organismo de energia que eu precisava tanto. Formou-se uma grande corrente, que eu não tenho noção da dimensão.
Fui internada novamente e descobriram uma sequência de coisas... entre elas uma hepatite medicamentosa muito forte. Suspenderam então todos os remédios que eu tomava. Só da tuberculose eram seis. Foi aí que comecei a me alimentar novamente. Tirados os demônios que me bombardeavam, pude comer. Passei fome, com vontade de comer, com comida, sem poder segurar no estômago. Fome dói, nunca imaginei que fosse sentir isso.
Depois de biópsia, tubo no pulmão, exames, furos, injeções e vômitos, veio a melhora. Uma melhora muito rápida, uma sensação estranha que não consigo descrever. Mas era uma vontade de comer tudo, de viver tudo, de andar dentro de casa, sentar na cama, tomar banho sozinha. Uma renovação que mudou meu quarto, retirando lembranças de um tempo que não quero mais lembrar, mudou meu pensamento em relação aos pobres humanos que eu tinha raiva, mudou minha percepção do meu corpo e mente. Vi que a medicina ainda é muito primitiva, mesmo com tanta tecnologia. Ela não trata uma pessoa, trata uma coisa na pessoa sem se importar o que tudo na pessoa vai sentir. vontade de gritar: EU NÃO SOU SÓ UM PULMÃO. PAREM DE ME MATAR TENTANDO SALVAR. E eu gritei. Procurei terapias alternativas, tratamentos diversificados. A doença sumiu do mesmo jeito que apareceu: do nada. E agora estão investigando que tipo de PNEUMONIA é essa que eu tenho.
Esses dias foram um tempo difícil mas posso dizer com certeza absoluta que foi o tempo mais importante da minha vida. Onde pude fazer escolhas que me deixaram novamente de pé. Nada além da sua saúde tem importância quando você está achando que vai morrer. Nada. Nem trabalho, nem dinheiro, nem namorado, nada. E quando você volta desta experiência, volta diferente, mais forte, equilibrado. Os desejos são coisas simples: segurar o sobrinho no colo, ver a luz do sol de pé, tomar água no filtro, comer sem ter que escorar. Escrever.
Não cheguei ao final do processo, mas estou no meio de uma transição. Um ciclo de muitas coisas difíceis está se fechando e eu já vejo a abertura de outro aqui dentro de mim. Estou no caminho, bem mais leve que outros já passados. Bem mais feliz também. Lembrei da frase do Jung, que um amigo me escreveu: "Quem olha pra fora sonha, quem olha pra dentro desperta"...
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
De volta
Saudade da escrita, de andar na rua, de sentir o sol.
Em breve novos escritos e nova vida...
sábado, 9 de agosto de 2008
Carta para o João Pedro
João Pedro,querido.
Confesso que fiquei muito irritada com o curso de batismo que tive que fazer para ser sua madrinha hoje. É que não suportei escutar que SÓ agora você tem Deus e que SÓ por este caminho que as pessoas O descobrem. Mas hoje, senti muita alegria em poder batizá-lo ao ver sua carinha tão boa e risonha.
Quero portanto, contar para você uma história sobre o seu nome que tem a ver com tudo isso que presenciamos hoje.
Há muuuito tempo atrás, 2008 anos pra ser precisa, nasceu uma pessoa com o nome de Jesus. Os pais deles se chamavam José e Maria - duas pessoas muito sábias que criaram o garotinho para ser o Filho de Deus. Ele precisou passar por tudo que você está passando agora: aprendeu a sugar, a coçar o dentinho, a fazer brrrru e tudo mais que você descobre todo dia. Pois bem, Jesus cresceu e se tornou um homem popular e revolucionário. Um grande revolucionário que dizia sobre o amor e sobre a fé o tempo todo. Se sua tia fosse viva naquela época, ela gostaria de tê-lo como amigo bem próximo, porque ele era simples, curioso, tinha amigos de todos os jeitos (cego, rico, prostituta, pobre, escravo, bom, mal, etc) e gostava de todo mundo pelo jeito que a pessoa era e mais! saía por aí fazendo o bem às pessoas.
Meu querido, infelizmente ele foi pêgo e morreu. Injustamente e com muita covardia. Ninguém podia sair por aí dizendo que é filho de Deus e tal... mesmo hoje, 2008 anos depois, a pessoa que ouvi por último dizer que é filho de Deus com tamanha certeza que a de Cristo, foi parar no hospital psiquiátrico que eu trabalhei há anos atrás. Um homem que está amarrado em algumas horas do dia, internado e correndo com a palavra do Pai dele pra cima e pra baixo sem conseguir passar pelo portão do hospital. Pra você ver que não era problema de época...
Pois bem, Jesus antes de morrer, ensinou muitas coisas às pessoas e fez vários amigos. Um deles se chamava João e esse escreveu sobre o trajeto de Jesus até o dia que foi crucificado (depois te explico o que é isso); outro se chamava Pedro e era um amigo que Jesus gostava muito. Era pescador e o fundador da primeira casa que ia esparramar quem foi Jesus. Mas João e Pedro eram humanos e erraram também. Dos erros do João não posso falar, mas os de Pedro tem um que é conhecido mundialmente. Ele disse a Jesus que nunca o negaria em vida, mas quando Jesus foi pêgo perguntaram para Pedro se ele era amigo do "maluco" que dizia que era filho de Deus e Pedro o que fez? Disse Não! Não conheço este homem. Mas não quero que você julgue o Pedro por causa disto, sabe por quê? Porque existem momentos na vida da gente que temos que escolher entre a vida do outro e a nossa. E não é crime escolher a nossa ta bom? (polêmico demais, depois conversamos sobre isso se você quiser).
Aí João, teve um detalhe importante. Quando Jesus morreu, todo mundo percebeu que estava cometendo injustiça, que realmente era um filho de Deus que estava alí na cruz. Muita gente faz isso até hoje também, condenando pessoas inocentes e deixando soltas pessoas criminosas. Provavelmente você vai ver muito disso ainda também.
Só que foi tarde. Jesus já havia morrido e não tinha mais jeito. Então depois de três dias algumas pessoas bem sensíveis que vêem espíritos viram o de Jesus. E então esse dia foi marcado com festa, porque viram que não necessariamente a morte física é a morte espiritual e a festa se chamou páscoa. Até hoje temos no calendário esta festa e você vai gostar muito, tenho certeza. Tem uma história aí de chocolate que não tem nada a ver... mas o povo tem que ganhar dinheiro com tudo então deram seu jeito.
Passada toda essa confusão, Jesus virou o mestre dos mestres e abriu caminho para outros, assim como também deve ter se inspirado em outros. Muitos homens foram especiais por suas revoluções na Terra. Jesus fundou o cristianismo; Maomé a crença muçulmana, Ghandi a revolução sem violência, Kardec o espiritismo, Cleópatra administrou uma civilização tida como caso perdido, Chico Buarque fazia músicas que denunciavam a injustiça do governo brasileiro, e outros tantos Josés, Marias, Joaquins que fazem todos os dias parte de suas próprias revoluções. Umas maiores, outras nem tanto. Isso que quero te falar, que você também pode fazer uma se quiser. Na sua casa, no seu bairro, na sua Cidade, no seu Estado, País e mundo! Se não quiser, tudo bem também. Nem todos nascem para revoluções e exercem igualmente importantíssimos papéis como ser humano.
Ainda sobre Jesus, ele continua mestre pra muita gente. Pra mim também. É meu exemplo de sabedoria e mansidão. Queria ser como ele às vezes e quando alguém me fizer uma pergunta, eu abaixar, riscar com um pedaço de pau a areia no chão e só depois responder. Ele tinha tempo pra tudo: pra pensar, pra falar, pra colher, pra plantar...
Então, o seu nome veio dessa história e significa luz e força. É o que você é pra gente, desde que nasceu...
Ah, e me lembra de te contar o que você fez na hora que o padre molhou na água sua cabecinha... Você é uma figura!
Amo você, beijo grandão.
Titia.
08-08-08
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Estrelas do Jequi
Caía a noite seguida do crepúsculo mais bonito que eu havia visto. Mistura de cores. Pintura divina e algo mais próximo do que imaginava ser a perfeição.
Nesse dia não fui ver o céu, até que no silêncio de uma leitura, ouvi uma voz aguda que gritava insistentemente um beabá.Uma professorinha. E ela gritava para os alunos que todas as noites iam ao cercado de madeira, porta dividida ao meio, tramela na janela aberta, única luz que eu avistava. Ainda que a voz fosse um grito, não tinha curiosidade maior. Bê com áaaaa: Báaaaaaaaaaaaaaaa.
Sob luz fraca, os alunos eram velhos atentos, inseguros com o lápis nas mãos, trêmulos, traçando primeiras letras de um caminho com a mesma escuridão do infinito. Mas como no caminho, estavam debaixo de um céu inesquecível, magnífico, de pequenas estrelas brilhantes e poeira estelar. Um manto que os cobria, a minha casa e a mim. Tenho medo de esquecer aquele céu. Por isso o fiz colorido em meus ombros, até hoje e para sempre.
domingo, 3 de agosto de 2008
Pedido
sábado, 2 de agosto de 2008
A segunda coisa
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Truque
Manoel de Barros
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Atitude
O que me fez mudar de idéia foi que em todos os dias, ainda que pareçam iguais, alguém me toca com alguma coisa dita, expressada ou recalcada. Se abrir os olhos sempre vai encontrar alguma coisa que te chame atenção. Foram duas coisas nesta semana que me despertaram vontade em escrever.
Uma foi uma criança da minha família que com uma cena, confirmou o que penso sobre as crianças: não são apenas infantes que não sabem das coisas, possuem julgamento próprio e são capazes de saber o que é certo e errado frente ao outro. Pois bem, Rafael - já comentado neste espaço - tem menos de dois anos e seus pais receberam em sua agenda escolar uma observação que ele mordeu um coleguinha da escolinha quando esse tentou tomar um brinquedo seu. Fizeram a intervenção correta. Quando Rafael chegou em casa e sua mãe foi ler o bilhete em voz alta, o garotinho começou a chorar, espernear e puxá-la para o quarto longe das pessoas que estavam na sala de casa. Expressou vergonha diante do bilhete e da acusação da violência com o amiguinho. A intervenção de minha tia foi bastante coerente e simples: Fazer isso com qualquer pessoa dói, não pode bater, nem morder, nem fazer o coleguinha chorar. Fiquei pensando que milhares de pais diriam o inverso: "Defenda-se mesmo! mordeu tem que morder também!" E diante dessa lucidez da minha tia, o pequeno foi se acalmando mas ainda não se sentia a vontade para encarar os demais que estavam na sala. Pergunto: culpa é uma coisa boa de sentir? em muitos casos sim, prova de não perversão em vários casos. Mas a questão aqui é outra: Desde cedo, as pessoas podem escolher entre o certo e o errado diante situações violentas. Sofremos com a moral sim, mas saber o que é certo e errado nem sempre é um castigo, é uma questão de posicionamento diante das coisas. Quando vejo violência e reproduzo violência, sou tão injusto quanto quem começou. E sobre a justiça, Ghandi deu pra mim o melhor exemplo: "Se cometes uma injustiça e eu me calo diante dela, então a injustiça também é minha". Ia comentar a segunda coisa, mas vou ficar por aqui mesmo. Essa já deu pano pra manga.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Leitora fiel de tua história
Nesses últimos meses acompanho sua dor proveniente de uma triste separação. Quando o ouço e leio o que escreve, meu desejo é de arrancar-lhe com as mãos todo esse sofrimento que têm lhe proporcionado constantes lutas diárias. Nunca consegui arrancar minhas próprias dores com as mãos, mas arrancaria as dele primeiro, se pudesse.
Estou muito cansada de todas essas histórias que não dão certo, apesar do desenvolvimento que todas elas trazem a cada um de nós que se arrisca. É que quem não se envolve, não se des-envolve, e para isso é preciso ter coragem. Mas cansa ...
Não é possível uma caixa preta para nossas memórias indesejáveis, meu querido amigo. Mas tem que ser possível uma resignificação de todas elas, uma saudade boa do que passou e o esquecimento do que feriu. A batalha é diária sim, num primeiro momento. Depois - de dias, meses ou anos - passa. Aí é hora de arriscar de novo, ou não...
Queria estar forte o suficiente para lhe dizer as melhores palavras. No momento, ofereço meu abraço separado por muita água e grande vontade de vê-lo bem. Também sou leitora fiel de tua história e espero ansiosamente a proximidade de dias melhores e de paz. Totalmente merecido...
Enxergar, ver e olhar.
As vezes tenho vontade incontrolável de ver além. Quem dera uma “espada justiceira com visão além do alcance”. Mas tranqüilidade me parece ser a visão do que nos é possível, exercício de paciência pra quem escuta além do alcance.
De tanto querer ver, encontro meu sossego na imagem congelada do outro que a minha máquina fotográfica captura. As minhas lentes são as conjuntivas do meu olhar, que pesca o outro que se faz em mim. Retrato o meu olhar, no outro.
Em Pedra Corrida, faço o exercício desse olhar. Num primeiro momento vejo, depois enxergo e por fim olho. Vêm à minha cabeça palavras de um texto do Freud: Necessidade, demanda e desejo. Tríade importante das nossas vidas. Faço analogia... Ver é uma necessidade fisiológica, coisa que nos permite captar o externo. Enxergar é um pouco mais que ver, é aquela visão de quem está procurando alguma coisa especifica no meio de tantas outras e por fim vem o olhar. Esse não é da ordem da fisiologia, não é da ordem da necessidade, nem da demanda de enxergar. O olhar é da ordem do desejo, particular e subjetivo de cada um. O olhar é seguido do que o nosso desejo desperta, em nós e no outro. E apesar de ter a necessidade de ver, e a demanda de enxergar, faço valer o meu olhar pelas lentes do meu desejo. É aquilo que só associado à palavra viva descreve o que ele diz. Palavra viva é aquela proferida da verdade de cada um.
De uma cadeira de Pedra Corrida vejo uma porta, enxergo um lugar e olho as pessoas. Vejo a menina que foi amassada por um carro, enxergo o pânico e olho a vontade dela em viver, amarrando os significantes que a compõe, tão pequena ainda. Ela me diz em uma brincadeira: "cuidado! Cuidado com o carro rápido na rua! Faz cicatriz na cabeça!" Essa mesma menina cai da bicicleta, vê o joelho ralado, ensaia um choro, vira para um lado, para o outro e olha pra ela mesma. Rapidamente, monta na bicicleta e sai andando com partes tortas, tremendo as mãozinhas no guidão. Eu vibro, silenciosamente no meu canto. Ainda que ela tenha medo, ela caminha... pequena guerreira, pequena e grande menina.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Volta ao mundo...
sábado, 26 de julho de 2008
Pedra Corrida

Este é o Emanuel, um garoto que por quase um ano foi a luz do meu dia em Pedra Corrida - Governador Valadares, um dos povoados que já trabalhei. Com esse sorriso ele vinha me contar do seu cotidiano, nada fácil. Brincava comigo e dava gargalhadas do meu "jeito de falar estranho". Eu poderia estar na tampa do stress num dia, mas quando ele chegava tudo ficava mais fácil. Emanuel queria me mostrar tudo: a escola dele, o pai, a mãe, o irmão pestinha, a pedra na rua, o carrinho velho, a bicicleta e o desenho novo. Cada mostra uma história que ele mesmo produzia fazendo qualquer coração de pedra balançar. Coração de Pedra. Coração de Pedra Corrida. Eu saí de lá, mas "lá" não saiu de mim ainda.
Coisa pouca
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Fazer o quê?
Reencontro
Hoje aconteceu um reencontro fascinante pra mim. Uns amigos do segundo grau, depois de mais ou menos 12 anos... Ficava imaginando como estariam as pessoas e me dava um certo medo de saber o que viraram depois de termos vivido nossas revoluções da adolescência. Um medo inseguro, bobo, de quem está acostumado a ver o mundo virar de cabeça pra baixo todos os dias. E o que mais me fez feliz neste encontro é que reconheci nos meus velhos amigos, a essência de cada um que não mudou. Mudaram fisicamente, mas aquela coisa que temos dentro da gente que nos acompanha em nossas atitudes diárias com o mundo, não . Cada um, da sua forma, mudou foi o mundo e esse era o nosso maior desejo coletivo quando tínhamos 17 anos. Reencontramos depois de muitos anos e me imprecionou o abraço, que era o mesmo também. Minutos de afeto trocados e explosão de uma energia que ali foi possível encontrar . Não éramos conhecidos, éramos divisores de um ideal que nos fazia dar o sangue em troca de sede de justiça. E meu deus, o que mais tenho pedido aos céus nesses meses, é justiça. Encontrá-los foi portanto uma certeza pequenininha de que o que eu tenho correndo na veia é algo que corre na mesma intensidade na veia de alguém. Alguéns. Foi nostálgico e importante. Recordamos o jornal que escrevíamos juntos no colégio, as pequenas revoluções que fazíamos nas ruas, as mudanças que decretamos na escola e o universo que abrimos ao assumirmos uma postura diante as escolhas da nossa juventude. Fomos felizes demais por termos sido assim...
No meio do encontro, Byron propôs um pacto que encontrou num filme do Kurosawa: a cada dia 24 de julho nos encontraríamos de novo. Unanimidade de aceitação...
Entre cinema, música, bonecos, teatro, letras e canções, meu velhos amigos vivem a arte como parte da essência que descobrimos há anos atrás. A mesma que me fez arrepiar quando me deparei em cada período meu.
Sem mais palavras, o desfecho que faço não traduz a emoção que eu senti. Cada um de nós sabe o que (re)vivemos ali e percebi que a ótica da vida muda com a experiência sim mas, o que somos no íntimo, não. Um brinde então ao desejo de ter essa história bem longa ainda e a outros que foram agregados nela por uma constante renovação de sonhos adquiridos!
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Amor banal e amor essencial
Todos os dias vejo por aí o "eu te amo" nos sites de relacionamento, nas mensagens instantâneas e nas frases sacadas do nada por pessoas que já estiveram comigo. A impressão que tenho é que de três, uma: 1. Ou o significante AMOR é como a imagem que fazemos de uma árvore - e nesse sentido ela pode ser robusta, grande, pequena, seca, florida, etc - e portanto, particular de cada um; 2. Ou o Amor que eu acho que é amor não é amor e eu não sei nada sobre isso; 3. Ou o amor que sempre ouvi falar é um termo descompromissado e dito sem pensar.
Chega a dar aflição a falta de comprometimento com as palavras, porque foram elas que escolhi para serem o objeto do meu estudo profissional. Detesto a fala por falar e as palavras pra serem soltas ao vento sem o mínimo de implicação. E detesto mais ainda os que se omitem de falá-las por acharem que dessa maneira, estão comprometidos com as "verdades". O melhor "não falar nada", é pior do que "falar tudo" sem compromisso.
Organizemos as idéias, tem outro detalhe. Hoje o amor aparece pra mim da seguinte maneira: a pessoa te ama 100 por cento já de cara, e vamos desgastando esse percentual com o tempo. Devia ser o contrário, meu deus. Preferia que eu tivesse zero por cento e se um dia eu chegasse aos 80 já seria lucro.
Estou com antipatia dos que me amam rapidamente. Amam nada! Meu sentimento não tem valor de troca. Parem de me amar do nada, por favor... Deixem eu saber o que é isso de verdade. Imploro!
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Valor
O último pôr do sol
Pedacinho do que vem no Festival de Inverno em Ouro Preto no fim de semana próximo.
Não quero ver o último pôr do sol tão cedo...
Nada
Janela

Das coisas que eu acho bonitas na vida, as janelas sempre tiveram um lugar especial no meu imaginário. Desde pequena me fascinam cada uma com seu jeito. Quando morava em Governador Valadares, sempre escolhia a poltrona 27 do ônibus para viajar, tinha janela grande e larga pra ver o céu a noite enquanto as curvas perigosas ficavam pra trás. O lugar que eu morava lá foi escolhido por conta da janela da sala. A janela era tão grande que era porta! e dela, eu via o pico do Ibituruna e a lua cheia apontando na serra.
No Jequitinhonha, as janelas encantavam pela simplicidade e exclusividade de cada forma de madeira semi aberta, pintada à mão. As senhoras ficavam debruçadas sobre elas, vendo o tempo acontecer e as novidades aparecerem. Vez ou outra alguém acenava com alegria e convidada pra um café à beira do fogão a lenha.
Um sonho com uma janela foi o motivo da minha viagem para o exterior. Lá eu virava de costas para tudo de ruim que me acontecia e via numa janela grande um lugar verde, sereno e bem distante. Pra lá fui e encontrei várias janelas que me fizeram sorrir. Da casa do Gonçalo via parte da querida Lisboa acordar; do quarto da Roberta via pequenas bicicletas trançarem por Bologna; do sótão do Antonio encontrava canteiros de flores azuis e vermelhas pregados nas janelas suiças; da janela do Fabian via a torre Eiffel piscar todas suas luzes à meia noite; do quarto do Gláucio via uma Alemanha linda que sobreviveu bravamente às guerras e da casa do Fernando assisti as ruas de Londres com toda a sua loucura. Mas houve uma janela muito especial, que a imagem durava apenas segundos e me fazia pensar na finitude e plenitude de aproveitar cada segundo. Foi da janela do trem que me emocionei várias vezes. Vez ou outra, o trem silenciava tudo e uma sensação de paz extrema tocava todo o meu corpo. Lá fora, campos amarelos que passavam rápido e quando eu percebia que era amarelo de flores, elas já tinham ficado pra trás. Era primavera, e eu vi os girassóis, os tetos que amparavam a neve no inverno, os campos que brotavam vida pouco a pouco dos seis meses intensos de frio. Impressionante como tudo brotava rápido sob a fraca luz do sol. É realmente preciso muito pouca luz para renovar todas as coisas e agora entendo minha aflição em ter morado no apartamento que eu vivia aqui perto. As janelas davam para outras janelas ocupadas e eu não via nada, porque não me interesso pela vida alheia. Não gosto de olhar e ver um muro à minha frente. Gosto de ver longe... porque de tanto mirar as coisas distantes, acabo chegando até lá.