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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Frio

Gosto do frio, mas ele me faz dor. Faz com que eu escreva também porque é um quê de nostalgia, de chuva caindo na janela e gota inspirando letra. O pé fica gelado e o coração fica quente. Ponto exato de debruçar sobre o risco que traça a oportunidade da sanidade. É que se eu não escrevesse, teria ficado louca sem ter sido doida na vida. Escrever é como respirar.

sábado, 21 de junho de 2008

Postura

Há alguns meses descobri uma doença rara, auto-imune e degenerativa.
Pensei por algum tempo que não fosse verdade, que os exames estivessem errados e que nada aconteceria. Alguns dias depois não conseguia me mexer quando levantava pela manhã. Doía muito... quase todas as minhas articulações. No entanto, a medida que fui entendendo sobre a doença, ela parecia menor. Antes um monstro que assustava, hoje uma possibilidade de qualidade de vida. Curiosamente é uma doença que acontece com maior frequência em homens. Devo ser muito macha mesmo para ter isso.
Os dias foram passando e encontrei alento no meu companheiro na época, em meus amigos e alguns familiares que souberam a seu modo. Cura, por enquanto não tem, mas quando me lembro da primeira médica que fui vejo que a medicina está longe de saber do que acontece exatamente no corpo humano... Por isso aposto tanto na mente.
Ouvi falar em cadeira de rodas com 29 anos e isso não era justo também. Não naquele momento, topo da carreira e da vida. Por fim, vi que não seria o maior problema se isso acontecesse, o maior problema seria desistir de tentar tudo que tivesse. Tudo é pouco, mas é muito. O que me deixou muito triste na época foi o fato de ser uma doença auto-imune. Era como eu me voltar contra mim mesma. Inaceitável por esse lado, mas compreensível tendo em vista o modo de vida que sempre levei, preocupada com coisas de trabalho, viciada nele.
Bom, hoje é diferente. Tenho dores mas não me consomem mais como antes. Pedi ao céu que me ajudasse, e acredito que me ajudou muito. A espondilite anquilosante é hoje um nome feio, mas não um bicho de sete cabeças mais. Tento todo dia não deixar que aconteça o que diz a internet, os médicos e os livros.
É muito interessante como você começa a valorizar coisas que não fazia antes: subir escada correndo, correr, segurar criança no colo, ficar confortável na cadeira do cinema. Cuido mais de mim hoje, graças a espondilite. De tudo, não foi pra me deixar torta que isso aconteceu, mas acredito que para me manter ereta e com postura diante da vida e das coisas...

Claridade no escuro

Na madrugada ela estava insuportável. Dessa vez na articulação têmporo-mandibular. Procurei o melhor remédio: João Pedro estava aqui em casa e o peguei pra dormir comigo. Às duas da manhã estávamos dançando teatro mágico e esqueci da dor. Dançamos muito até vir o sono dele porque o meu foi substituído pela vontade de vê-lo dormir daquele jeito gostoso e inocente. Às sete ele acordou sorrindo pra mim...

terça-feira, 17 de junho de 2008

Manipulados

Amarelo, branco e pardo. Toda noite, até passar.
Há coisas que são difíceis de engolir, mas dizem que um dia farão bem.
Serotonina, adrenalina e sono podem ser comprados em farmácia.
Sentimento não.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Ter ou não ter

Tenho dores de tanto caminhar procurando por mim.
Tenho dores de tanto caminhar procurando por.
Tenho dores de tanto caminhar procurando.
Tenho dores de tanto caminhar.
Tenho dores de tanto...
Tenho dores de.
Tenho dores.
Tenho.
Não tenho.
Tudo pode acabar.