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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Flores


Por todo lado que ando, vejo flores.
Muitas vezes as deixei passar despercebidas, hoje não!
Procuro-as de todas as formas e estilos.
Sei que curam, renovam e nos aproximam da leveza que precisamos.

Essa flor que encontrei é sábia.
Abre-se para a luz e fecha-se para o escuro.
Receita valiosa e feliz.

Flor da Paz.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Luz


Às vezes saímos por aí, sem rumo, procurando alguma coisa. De repente encontramos. É que quem procura acha e se encontrou é porque estava procurando. Às vezes me deparo com a luz no meio do caminho. Dos caminhos... E chego a me fascinar por ela. Verde, amarela, lilás, branca! Branca como o silêncio do encontro não com o outro, mas consigo mesmo. Queria luz e achei mas dói um pouco pensar que a luz uma hora se apaga. Aí de duas, uma. Ou deixa escurecer, ou reacende com o que construiu em silêncio no teu coração. Nunca gostei de ficar no escuro tateando a forma como as coisas são. Sou e gosto de ser da luz...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Jacó e Matheus

Existem pequenos espaços, pontos de luz, perdidos no meio da cidade grande. Jacó e Matheus é um deles, uma casinha disponível para o trabalho, fraternidade, amor. O que tem de mais bonito do ser humano é a capacidade, apesar de todos os acontecimentos da atualidade, de doar um pouco de si, sem pretenção ou vaidade. O bem e o mal existem, não em um niilismo extremo, dividido entre duas alas humanas, mas em nós mesmos. Cabe escolher. E procurar pelo bem, pois ele existe e aos montes. Graças a Deus.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Estrelas do Jequi

Era uma casa simples de chão batido e sem forro no teto. Senti na pele uma mudança compulsória, mas passado o susto da diferença, tomei a como minha rapidamente. Era uma casa especial e me dava, quase todas as noites, a sensação de mergulho no silêncio de uma imensidão escura com pontos brilhantes.
Caía a noite seguida do crepúsculo mais bonito que eu havia visto. Mistura de cores. Pintura divina e algo mais próximo do que imaginava ser a perfeição.
Nesse dia não fui ver o céu, até que no silêncio de uma leitura, ouvi uma voz aguda que gritava insistentemente um beabá.Uma professorinha. E ela gritava para os alunos que todas as noites iam ao cercado de madeira, porta dividida ao meio, tramela na janela aberta, única luz que eu avistava. Ainda que a voz fosse um grito, não tinha curiosidade maior. Bê com áaaaa: Báaaaaaaaaaaaaaaa.
Sob luz fraca, os alunos eram velhos atentos, inseguros com o lápis nas mãos, trêmulos, traçando primeiras letras de um caminho com a mesma escuridão do infinito. Mas como no caminho, estavam debaixo de um céu inesquecível, magnífico, de pequenas estrelas brilhantes e poeira estelar. Um manto que os cobria, a minha casa e a mim. Tenho medo de esquecer aquele céu. Por isso o fiz colorido em meus ombros, até hoje e para sempre.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Diariamente

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Existem coisas que ainda que as repita em outro tempo, não fazem o mesmo sentido. Mas há sempre a possibilidade de relembrar de um jeito diferente a lembrança boa do que passou. Ainda que não volte, chega um momento que esse traço deixa de ser dor e vira saudade, que pode doer ou não. "Diariamente" retratava meus dias num lugar que tinha paixão e amor misturados. Lugar que quando pisava na terra, acontecia tudo que era magia dentro de mim. Encontro com a virtude mais difícil de encontrarmos, segundo os filósofos: A Simplicidade. Hoje encontrei perdido nas minhas coisas um cartão que eu mesma comprei pra mim escrito " Sejam simples", e nele uma formiga com uma palha na boca e uma minhoca com chapéu de campo. Nasci na cidade grande, mas a primeira vez que pisei nesse lugar, que encontrei pessoas que não se importavam com a roupa que eu estaria usando e nem se eu tinha cara ou não de psicóloga, me encontrei, de certa maneira. "Diariamente" retrata isso e muito mais. Fala de momentos inesquecíveis, simples, como tomar banhos deixando a água se misturar com os sonhos. Escrevo agora e relembro com uma vontadezinha de chorar, mas em pouco tempo isso vai ser motivo de rir ao lembrar de uma parte da minha vida que se foi por motivo compulsório, não por escolha minha. Se há agora um desejo realmente verdadeiro em mim, é o de que eu possa não me petrificar com tudo que me aconteceu e continuar reconhecendo o valor da simplicidade nas coisas e pessoas. Diariamente...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Sintra-se em casa!


Essa é Sintra, uma cidade muito aconchegante de Portugal. Lá vi as vilas históricas que procurava e comi dos mais gostosos doces lusitanos. O clima deste lugar é diferente dos outros, lembra o cheiro bom da nossa mata atlântica. Sintra-se em casa também. Expie na janela à vontade, e mire o céu. Foi assim que cheguei até lá.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Para Rafael


Rafael tem um ano e mal consegue pronunciar o seu próprio nome. No entanto estava comigo no momento em que fiz essa foto e ele disse: "Iguejinha Pampulha"! Senti orgulho dele e ocorreu-me que depois de tantos lugares, descobri que não sou de lugar algum. Mas sei o que deixo neles e eles em mim.

Rafael meu pequeno lindo, a nossa "Iguejinha" pra você...

Conquista

Depois de toda confusão estava sempre com uma vontade de dormir. Uma satisfação em ficar debaixo das cobertas, como se elas fossem me proteger de tudo e de todos. Ficar muito tempo deitada me deixa com dores, então tive que fazer alguma coisa por mim.

Foi quando resolvi realizar sonho antigo e quase impossível considerando as dificuldades financeiras que esse sonho custava. Nunca tivemos dinheiro, mas sonho sempre me sobrou e apostando nele esperava conseguir um dia conhecer a Europa.

Então era hora e tempo certo de ir. Juntei o que sobrou dos anos de trabalho e fui sozinha. Decidi que seria em breve, em menos de duas semanas. Não houve planejamento nem dúvidas, só vontade e tentativa de sair de debaixo das cobertas.

O destino seria Lisboa, onde tenho um amigo que acompanhava aflito os últimos acontecimentos e tempestades. Só sabia que iria até ali, descansar, conversar, esquecer.

Mas de lá tudo foi fazendo sentido. Outros caminhos se abriram e fui a outros cinco países além de Portugal. Contatos de amigos antigos, que nunca se perderam pelas distâncias e que havia reciprocidade de carinho e admiração. Outros que conheci no caminho mesmo, a partir de um nada que fez muito sentido nos trinta dias dessa descoberta e realização.

Confesso que não foi fácil. As malas, as línguas e as diferenças foram desafios de todo dia. Mas quando é que todo dia não deixei de viver nenhum? O pensamento de que um dia, talvez pelas consequências da espondilite, não poderia fazer isso sozinha, me davam força o tempo para descobrir cada caminho novo do mundo velho.

De repente, tinha ido a 15 cidades de seis países e em cada uma delas, encontrei algo além da Primavera que irradiava esperança de vida. Encontrei pessoas, flores, risos, fotografias, arte! E como a arte cura meu Deus... Ela desperta o olhar pra além do nosso sofrimento. Muda a direção das nossas lentes que vêm somente a dor. Desperta desejos, sonhos e fascínios cobertos até aqui. Descobertos agora.

Cada lugar merece o seu lugar. Aos poucos escrevo sobre eles. O que importa agora é o que sempre soube e agora tenho certeza. Quando você realmente deseja uma coisa, ela pode acontecer. Cuide dos seus desejos, portanto.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Primavera

Pela primeira vez, senti a primavera reinando sozinha com todas as cores e movimentos que lhe pertencem. Não sei se consigo expressar aqui o que ela me transmitiu: Êxtase de vento acariciando seus cabelos sob um frio manso com sol de montanha que aquece sem esquentar.
Naquele dia na Alemanha, aconteceu algo que é maior que ver a primavera: senti-la, como eu em você e você em mim... Dentes-de-leão voavam em quantidade enorme por todo o parque e pessoas andavam dentro do cenário dividindo espaço com as cestas de flores azuis nas bicicletas. Parei um momento e agradeci a Deus, à vida e ao universo por aquele momento: mágico, único e meu. Quando me dei por totalmente agraciada de tudo eis que surge uma gaita escocesa tocando a música daqueles dias só para mim. Música que eu havia escutado assim, coincidentemente, em todos os lugares que eu pisei fora do meu País. Se abir os olhos e deixar o acaso te encontrar durante o dia, vai saber o que é ter extrema felicidade que dura segundos. Acaba rápido! por isso tem que estar atento ao toque dessa dama que não avisa se vai estar ali de bobeira ou não. Ela aparece do nada e te marca com um selo daquele tolo sorriso de esperança de encontrá-la novamente...