Conheci um casal que fez amolecer a carcaça que eu estava nela. É que às vezes pra ferida cicatrizar tem que deixar formar uma casca grossa, senão dói demais. O perigo é deixar endurecer de vez e antes que isso aconteça, é necessário prestar atenção nas possibilidades bonitas que existem por aí. Hugo e Thais são uma delas e me ensinaram que a cumplicidade é que faz o olhar ser de cuidado com o outro e o amor brotar. Todas as vezes que amei tive que des-amar depois, mas não é sempre que um relacionamento acaba por dificuldades encontradas, e não é sempre que tem que doer pra fazer história. Estou escrevendo para não esquecer disso.
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sábado, 22 de novembro de 2008
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Coração na mão

Resolvi sair da toca. E num entusiasmo com a vida aceitei até música sertaneja em boite. Quem diria! Mas esse universo noturno, das gandaias e afairs, definitivamente passa longe do que tenho realmente prazer. A noite me traz um vazio quando me deixo perder no que eu não sou. Senti meu coração na mão diante das lembranças de um tempo que eu era satisfeita em não ter que sair a noite pra me divertir. Chorei. Lágrima boba que não ajuda em nada, só faz doer.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Separação
Separar-se de alguém é fazer um esforço imenso para esquecer cada cena compartilhada. E por incrível que pareça as lembranças são de coisas muito pequenas, acontecimentos quase bobos do cotidiano. É inacreditável, por um tempo, que tudo aquilo se vá porque é o esfalecimento daquele tolo sentimento de que vai durar para sempre. Os dias que sucedem tornam-se insuportáveis com a falta do que era preenchido e com o tempo você vai fazendo com que aquilo tudo seque como galho enfraquecido da árvore que não tem mais vida. De tanto plantar e replantar fico na dúvida se o solo fica fértil ou se ele se seca eternamente.
sábado, 27 de setembro de 2008
Mãos
Ela me relatou e foi quase como se eu pudesse sentir o que dizia. Quando ele pegou nas mãos dela passou um filme futuro em sua mente. Juntos, companheiros, com um trabalho em comum e sonhos também, pra aqui perto e lá longe. Ainda que ela não quisesse abrir agora o seu coração, aconteceu. As grandes coisas não se planejam, aparecem como sopro de brisa que traz o recado e o leva de volta aos ouvidos do criador. Aquelas mãos juntas, por três segundos, foram tudo que ela precisava pra se reerguer. Tonteou de confusa e quentura que deu. Ela pensou no por quê das coisas serem sempre tão complicadas, e no por quê também dele não segurar mais forte e um pouco mais o que não era pra ter fim. Chego a ver a cena, um desconcerto cabreiro, manso e tímido por uma centelha acesa na alma. Mas existem as escolhas, que limitam os acontecimentos em metade por cento. A outra parte não diz o que sente e passa o tempo sem que outros momentos como aquele sejam restauradores do dia. Quando ela descreveu as mãos juntas, percebi que em muitos momentos da nossa vida as coisas ficam mais fáceis quando se tem mãos a quem contar. Nesse caso, ela queria também lábios aos quais beijar...
sábado, 2 de agosto de 2008
A segunda coisa
A segunda coisa que me deixou nesta semana, por alguns segundos, sem saber o que dizer foi um comentário de um amigo recente sobre sua namorada. Ele me disse que por toda a vida procurou alguém que fosse perfeita, que não mascasse chicletes demais, que tivesse todas as medidas coerentes e exatas, que não fosse tão religiosa, que bla bla bla. E num dia, se viu apaixonado por uma pessoa que naquele momento era tudo que ele não queria, querendo. As palavras pra mim foram como uma grande declaração de amor, verdadeira e simples ao dizer: "Amo cada risco da pele, cada falha no cabelo dela, cada amassado quando acorda e principalmente cada vez que demonstra suas fraquezas e inseguranças em seu dia. É fácil amar o que nos é ideal, lindo e perfeito. Difícil é conseguir amar o humano que é a pessoa é." E pronto. Foi suficiente para eu me calar, não pela conclusão porque penso assim também, mas por uma declaração tão inusitada e diferente. Não costumo me calar no "disfarce-a-face" das conversas virtuais e desta vez calei-me. Vontade de silêncio pra pensar em mim.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Fazer o quê?
Eu já sabia a resposta pra minha pergunta e ainda assim perguntei. Mania de querer saber das coisas... O ruim de ficar apaixonada é que o desconfiômetro fica desregulado. Mas sabe que apesar da tristeza, que nem sei o porquê de ser tanta, tudo fica melhor assim. Meu jeito é esse, fazer o quê? Eu tô achando que eu deveria era me apaixonar perdidamente por mim mesma, assim ia parar de achar que tudo que é bom pra mim, dura pouco...
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Amor banal e amor essencial
Admiro os poetas que falam sobre o amor. Eu não sei falar. É que o que sempre achei que fosse esse sentimento parece ser equivocado perto do que é fora de mim. Pra ser mais simples, o que todos falam que é amor eu não entendo.
Todos os dias vejo por aí o "eu te amo" nos sites de relacionamento, nas mensagens instantâneas e nas frases sacadas do nada por pessoas que já estiveram comigo. A impressão que tenho é que de três, uma: 1. Ou o significante AMOR é como a imagem que fazemos de uma árvore - e nesse sentido ela pode ser robusta, grande, pequena, seca, florida, etc - e portanto, particular de cada um; 2. Ou o Amor que eu acho que é amor não é amor e eu não sei nada sobre isso; 3. Ou o amor que sempre ouvi falar é um termo descompromissado e dito sem pensar.
Chega a dar aflição a falta de comprometimento com as palavras, porque foram elas que escolhi para serem o objeto do meu estudo profissional. Detesto a fala por falar e as palavras pra serem soltas ao vento sem o mínimo de implicação. E detesto mais ainda os que se omitem de falá-las por acharem que dessa maneira, estão comprometidos com as "verdades". O melhor "não falar nada", é pior do que "falar tudo" sem compromisso.
Organizemos as idéias, tem outro detalhe. Hoje o amor aparece pra mim da seguinte maneira: a pessoa te ama 100 por cento já de cara, e vamos desgastando esse percentual com o tempo. Devia ser o contrário, meu deus. Preferia que eu tivesse zero por cento e se um dia eu chegasse aos 80 já seria lucro.
Estou com antipatia dos que me amam rapidamente. Amam nada! Meu sentimento não tem valor de troca. Parem de me amar do nada, por favor... Deixem eu saber o que é isso de verdade. Imploro!
Todos os dias vejo por aí o "eu te amo" nos sites de relacionamento, nas mensagens instantâneas e nas frases sacadas do nada por pessoas que já estiveram comigo. A impressão que tenho é que de três, uma: 1. Ou o significante AMOR é como a imagem que fazemos de uma árvore - e nesse sentido ela pode ser robusta, grande, pequena, seca, florida, etc - e portanto, particular de cada um; 2. Ou o Amor que eu acho que é amor não é amor e eu não sei nada sobre isso; 3. Ou o amor que sempre ouvi falar é um termo descompromissado e dito sem pensar.
Chega a dar aflição a falta de comprometimento com as palavras, porque foram elas que escolhi para serem o objeto do meu estudo profissional. Detesto a fala por falar e as palavras pra serem soltas ao vento sem o mínimo de implicação. E detesto mais ainda os que se omitem de falá-las por acharem que dessa maneira, estão comprometidos com as "verdades". O melhor "não falar nada", é pior do que "falar tudo" sem compromisso.
Organizemos as idéias, tem outro detalhe. Hoje o amor aparece pra mim da seguinte maneira: a pessoa te ama 100 por cento já de cara, e vamos desgastando esse percentual com o tempo. Devia ser o contrário, meu deus. Preferia que eu tivesse zero por cento e se um dia eu chegasse aos 80 já seria lucro.
Estou com antipatia dos que me amam rapidamente. Amam nada! Meu sentimento não tem valor de troca. Parem de me amar do nada, por favor... Deixem eu saber o que é isso de verdade. Imploro!
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Com incidências
Acredito que daria um livro se eu for contar todas as coincidências que me acontecem. Houve época que questionei se isso realmente existia ou se as coisas pareciam sempre arranjadas pelo universo que nos faz de marionetes. Ontem novamente adormeci rindo das coisas que me acontecem e fiquei muito feliz em poder rir de tudo, finalmente. É que algumas marcas são doloridas e é comum acreditarmos que isso dura para sempre. Hoje digo com todas as letras: NÃO DURA E PASSA! Pessoas que um dia nos foram importantes, passam a ser insignificantes em nossa história como se não fossem mais parte dela e as coincidências, nesse sentido, são oportunidades que aparecem para nos dar certa garantia. Acordei assim, com sentimento de gratidão. Parece estranho agradecer ao universo, a Deus e todas as coisas por desgraças que nos aconteceram. Mas estranho mesmo, é você estar em um restaurante muito aconchegante, à luz de velas e na mesa ao lado uma mulher (que não consigo descrevê-la tamanha sua esquisitice) tirar da bolsa um aparelho de som e ligar , no último volume, uma música do pagode de Alexandre Pires. Tenho mesmo que ser grata a tudo que me acontece, porque tem coisa que só acontece mesmo, comigo.
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quinta-feira, 26 de junho de 2008
terça-feira, 24 de junho de 2008
Anúncio
Entrei no hotmail hoje e vi um anúncio em letras garrafais: " QUER NAMORAR EM CINCO MINUTOS? PAR PERFEITO! CLIQUE AQUI"
Por essas e outras que tenho desânimo às vezes. Uma que continuam vendendo sentimento por aí, outra que há quem os compre. Não, não quero um par perfeito e um namoro em cinco minutos. Quero mais, muito mais que isso! Quero gente de carne e osso, que aposte no que eu aposto. E de nunca encontrar, cansei de procurar. Que me achem um dia se quiserem também.
Por essas e outras que tenho desânimo às vezes. Uma que continuam vendendo sentimento por aí, outra que há quem os compre. Não, não quero um par perfeito e um namoro em cinco minutos. Quero mais, muito mais que isso! Quero gente de carne e osso, que aposte no que eu aposto. E de nunca encontrar, cansei de procurar. Que me achem um dia se quiserem também.
terça-feira, 17 de junho de 2008
Sem título
Posso viver sem você e sua companhia.
Sinto raiva de mim por ter acreditado que tudo poderia ser para sempre. Não pode.
Nada é de ninguém para sempre. E ninguém é para ninguém para sempre.
Lamento que os leitores enxerguem o pessimismo em minhas escritas, mas é que otimismo e intensidade não andam juntas em minha vida. Se otimista, sou superficial e se sou intensa sofro como parideira em beira de rio seco e sujo. Não me importo de ser intensa como sempre fui em todas as coisas ainda que sofra em todas as coisas. Há os que vêm para serem comuns, outros que o oposto sem assim o planejar. Natural como a condição da existência em que só se pode fugir se optar pela alienação. Quem me dera optar por ela, mas agora me encontro num caminho sem volta. Não há forma de voltar á ignorância apaziguadora da alma. O que dizia mesmo? Que posso viver sem você e sua companhia. Viver não é estar com os olhos abertos. Antes: abrir os olhos para a vida.
Sinto raiva de mim por ter acreditado que tudo poderia ser para sempre. Não pode.
Nada é de ninguém para sempre. E ninguém é para ninguém para sempre.
Lamento que os leitores enxerguem o pessimismo em minhas escritas, mas é que otimismo e intensidade não andam juntas em minha vida. Se otimista, sou superficial e se sou intensa sofro como parideira em beira de rio seco e sujo. Não me importo de ser intensa como sempre fui em todas as coisas ainda que sofra em todas as coisas. Há os que vêm para serem comuns, outros que o oposto sem assim o planejar. Natural como a condição da existência em que só se pode fugir se optar pela alienação. Quem me dera optar por ela, mas agora me encontro num caminho sem volta. Não há forma de voltar á ignorância apaziguadora da alma. O que dizia mesmo? Que posso viver sem você e sua companhia. Viver não é estar com os olhos abertos. Antes: abrir os olhos para a vida.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Restos
Quando o caminhão parou não imaginava que aquela cena traria água aos olhos. Caixas empoeiradas e tábuas enroladas em lona, restos de um relacionamento intenso e anteriormente eterno. Histórias se não são contadas transformam-se em trapos e coisas comuns, em lixo. A sorte é que outras mãos podem dar outro sentido ao resto que sobra. Outras pessoas podem resignificar as histórias e modificar o contexto de uma caixa empoeirada. Foi minha mãe que me ajudou a mudar essa história. Muita água, sabão e vontade. Em dois dias era outro quarto, outros móveis, outras cores. Em cada coisa tirei as lembranças do outro que era parte de mim e coloquei minha vivência. Enfeites do outro lado do mundo que conquistei sozinha, novos objetos, nova forma de arranjo. E ao dormir, era outro lugar, ainda que com visão semelhante ao velho e cheiro antigo de dias felizes. Engano pensar que o tempo que se passou é o tempo feliz da sua vida. O tempo de agora é que é. O tempo que vem, novo em folha para desenhar os seus dias e reescrever sua história. Existirão sempre os restos, e sempre a pergunta sartreana que me acompanha: o que farei com o que fizeram de mim até aqui? Hoje sei que com a ajuda de outras mãos posso, aos poucos,deixar as marcas desaparecerem por si mesmas e com o resto de mim, fazer tudo. Tudo novo.
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