Conversando com a Priscila, uma pessoa que gosto muito, sobre coisas da vida:
" Estou sozinha, Rê, mas feliz por não deixar que meu coração aceite menos do que ele merece ".
Motivo simples da minha admiração.
Dica preciosa para as mulheres que estão perdidas.
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sexta-feira, 22 de abril de 2011
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Relato
Ela ligou. Trêmula na voz, acelerada em sua aflição. De tempos em tempos fazia reflexão sobre sua vida e compartilhava. "Está tudo errado", ela disse. "Minha vida até aqui foi toda errada". Questionei silenciosamente o que tanto afligia, ao mesmo tempo em que tudo parecia mostrar um direcionamento tranquilo de sensatez. Falava sobre os casais: felizes, bonitos e iguais. Monótonos, cúmplices de uma falta de verdade coletiva, de segredos mudos e claros. Olhou para um lado, flash. Para o outro solidão. Minutos de lábios se movimentando sem que se ouvisse um som apenas, um mísero. Nem da voz que irritava, nem da promessa desfeita."As vezes penso que não sou daqui", continuou. E após o relato, escutava o coração dela como se pudesse mergulhar no mais profundo silêncio marinho. Só o coração dela, que ora forte gritava socorro e ora fraco pedia paz. "Dirigi a volta sem saber como". Viu-se perdida num caminho conhecido, passou todos os sinais, todos os radares. Ninguém para rastrear. Ninguém para dizer: vá ou páre. Está tudo errado sim, concordei. Até aqui viveu para os outros e os outros viveram por si. Mas de tempos em tempos, parece abrir um portal de claridez. Claridez não existe, é palavra inventada para dizer de um momento único, raro de lucidez. Antes tarde do que nunca, ressaltei. A vida pede sentido, assim como pede pausa. Não há sentido algum no que houve hoje. Não há descrição para o limite ultrapassado, escancarado, banalizado. É de intensidade que a pulsão precisa, mas não é de intensas experiências amontoadas e vazias de falta de amor próprio. Tudo até aqui, não fez sentido algum. Hora de mudar.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Companheiras

Minhas botas são companhia frequente. Já pisaram a beira do rio Jequitinhonha, o Pico da Ibituruna, o Louvre, o mar de Veneza, a Inglaterra, a festa de 15 anos da minha prima, o Palácio das Artes e o boteco da esquina. Foi um amigo japonês que me ajudou a escolhê-las e hoje sinto muito a falta da amizade dele e das conversas estranhas sobre circuitos elétricos, relativismo cultural e mudanças compulsórias. Sinto falta imensa de sair por aí pilotando um carro esquisito no mato, de afundar na lama e de dar gargalhadas seguidas de palavrões. Enfim, que aliás é vício de linguagem dele, "existem mais coisas sobre o céu e a terra do que nossa vã filosofia" sobre as coisas. De tudo fica um pouco, de todo pouco se faz um muito e continuamos por aí. Firmes e fortes como as minhas botas que nunca se acabam.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Balzaquianas
Ontem tive um encontro muito especial. Duas grandes amigas Ana Paula e Juliane que estão em Governador Valadares e em Rondônia, respectivamente.
Ana Paula é uma guerreira. Engenheira civil, (das melhores) trabalhou comigo no desafio chamado Irapé: Usina hidrelétrica no Vale do Jequitinhonha. Foi no trecho que nos conhecemos, na lama, nos caminhos mais complicados. Dividimos carro, quarto de hotel, comida, medos e sonhos. Despedimos e nos reencontramos novamente depois de um ano na usina de Baguari em Governador Valadares. Dividimos um prédio, cafés da manhã com muitas conversas, final de novela das oito e muitas, muitas alegrias.
Juliane, pela falta de palavras que a define é uma "coisa". Mulher dócil, humana, capaz e grande jornalista. É carioca da gema que se perdeu (ou se achou) por entre montanhas de Minas Gerais. Está láaaa em Rondônia agora e também nos conhecemos em Governador Valadares. Por algum tempo éramos eu e ela naquela cidade, naquele trabalho. Dividimos angústias, revoltas, piscina, fotografias, povoados, alegrias, decepções, sonhos e lágrimas.
Convivíamos no trabalho e nas horas de folga. Impressionante como era tudo harmônico, sem as picuinhas usuais que existem nos ambientes de trabalho com competições e mesquinharias. Nunca tive equipe como esta, nem antes e nem depois.
Pois bem, tínhamos um chefe e ele dizia: "Essa geração de 1978 é terrível!". E é mesmo. Neste ano todas nos tornamos balzaquianas. Balzaqui Ana, Balzaqui Ju e Balzaqui Rê. Cada uma num lugar, mas sempre juntas, ainda que distantes, na principal obra do ser humano: Amizade...
Ana Paula é uma guerreira. Engenheira civil, (das melhores) trabalhou comigo no desafio chamado Irapé: Usina hidrelétrica no Vale do Jequitinhonha. Foi no trecho que nos conhecemos, na lama, nos caminhos mais complicados. Dividimos carro, quarto de hotel, comida, medos e sonhos. Despedimos e nos reencontramos novamente depois de um ano na usina de Baguari em Governador Valadares. Dividimos um prédio, cafés da manhã com muitas conversas, final de novela das oito e muitas, muitas alegrias.
Juliane, pela falta de palavras que a define é uma "coisa". Mulher dócil, humana, capaz e grande jornalista. É carioca da gema que se perdeu (ou se achou) por entre montanhas de Minas Gerais. Está láaaa em Rondônia agora e também nos conhecemos em Governador Valadares. Por algum tempo éramos eu e ela naquela cidade, naquele trabalho. Dividimos angústias, revoltas, piscina, fotografias, povoados, alegrias, decepções, sonhos e lágrimas.
Convivíamos no trabalho e nas horas de folga. Impressionante como era tudo harmônico, sem as picuinhas usuais que existem nos ambientes de trabalho com competições e mesquinharias. Nunca tive equipe como esta, nem antes e nem depois.
Pois bem, tínhamos um chefe e ele dizia: "Essa geração de 1978 é terrível!". E é mesmo. Neste ano todas nos tornamos balzaquianas. Balzaqui Ana, Balzaqui Ju e Balzaqui Rê. Cada uma num lugar, mas sempre juntas, ainda que distantes, na principal obra do ser humano: Amizade...
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Anna
Do outro lado do mundo, por alguns minutos, deparei-me com a Anna. Tínhamos em comum uma máquina fotográfica pendurada no pescoço e a curiosidade de uma experiência em outro mundo. Eu estava na França, terra dela, e ela estava vindo para a minha, o Brasil. Não nos entendíamos com as palavras, mas o olhar mostrou interesse de fazermos juntas alguma coisa com aquelas máquinas*. Bom, quando voltei para o Brasil a Anna me ligou e veio me visitar. Época em que eu não podia mostrar-lhe a cidade, os meus lugares preferidos, nem meus amigos. Mas a Anna não se importou, vinha quase que dia sim, dia não, conversar comigo. Depois de três meses aqui ela já falava português e nos entendíamos muito bem e em pouco tempo conquistou minha família... avô, mãe, tias... e em pouco tempo também ela se tornou grande amiga e companheira daqueles momentos em que você percebe quem realmente está ao seu lado. Descobrimos muitas coisas juntas. Mesma data de aniversário, mesma idade, mesmos sonhos... Agora ela vai voltar para a casa levando parte daqui da mesma forma que eu trouxe parte de lá e percebemos juntas que a amizade encurta grandes distâncias e se torna um presente valioso aos que estão abertos para esse tipo tão peculiar de amor. Anna, querida, até a próxima... obrigada por tudo.
* Vamos fazer uma exposição de fotos sobre o Brasil juntas, em dezembro, na França.
* Vamos fazer uma exposição de fotos sobre o Brasil juntas, em dezembro, na França.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Leitora fiel de tua história
Tenho um grande amigo do outro lado do oceano. Desses que quando tudo parece desmoronar te abraça e diz: vou lhe fazer um jantar, ouça esta música!
Nesses últimos meses acompanho sua dor proveniente de uma triste separação. Quando o ouço e leio o que escreve, meu desejo é de arrancar-lhe com as mãos todo esse sofrimento que têm lhe proporcionado constantes lutas diárias. Nunca consegui arrancar minhas próprias dores com as mãos, mas arrancaria as dele primeiro, se pudesse.
Estou muito cansada de todas essas histórias que não dão certo, apesar do desenvolvimento que todas elas trazem a cada um de nós que se arrisca. É que quem não se envolve, não se des-envolve, e para isso é preciso ter coragem. Mas cansa ...
Não é possível uma caixa preta para nossas memórias indesejáveis, meu querido amigo. Mas tem que ser possível uma resignificação de todas elas, uma saudade boa do que passou e o esquecimento do que feriu. A batalha é diária sim, num primeiro momento. Depois - de dias, meses ou anos - passa. Aí é hora de arriscar de novo, ou não...
Queria estar forte o suficiente para lhe dizer as melhores palavras. No momento, ofereço meu abraço separado por muita água e grande vontade de vê-lo bem. Também sou leitora fiel de tua história e espero ansiosamente a proximidade de dias melhores e de paz. Totalmente merecido...
Nesses últimos meses acompanho sua dor proveniente de uma triste separação. Quando o ouço e leio o que escreve, meu desejo é de arrancar-lhe com as mãos todo esse sofrimento que têm lhe proporcionado constantes lutas diárias. Nunca consegui arrancar minhas próprias dores com as mãos, mas arrancaria as dele primeiro, se pudesse.
Estou muito cansada de todas essas histórias que não dão certo, apesar do desenvolvimento que todas elas trazem a cada um de nós que se arrisca. É que quem não se envolve, não se des-envolve, e para isso é preciso ter coragem. Mas cansa ...
Não é possível uma caixa preta para nossas memórias indesejáveis, meu querido amigo. Mas tem que ser possível uma resignificação de todas elas, uma saudade boa do que passou e o esquecimento do que feriu. A batalha é diária sim, num primeiro momento. Depois - de dias, meses ou anos - passa. Aí é hora de arriscar de novo, ou não...
Queria estar forte o suficiente para lhe dizer as melhores palavras. No momento, ofereço meu abraço separado por muita água e grande vontade de vê-lo bem. Também sou leitora fiel de tua história e espero ansiosamente a proximidade de dias melhores e de paz. Totalmente merecido...
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Reencontro
Hoje aconteceu um reencontro fascinante pra mim. Uns amigos do segundo grau, depois de mais ou menos 12 anos... Ficava imaginando como estariam as pessoas e me dava um certo medo de saber o que viraram depois de termos vivido nossas revoluções da adolescência. Um medo inseguro, bobo, de quem está acostumado a ver o mundo virar de cabeça pra baixo todos os dias. E o que mais me fez feliz neste encontro é que reconheci nos meus velhos amigos, a essência de cada um que não mudou. Mudaram fisicamente, mas aquela coisa que temos dentro da gente que nos acompanha em nossas atitudes diárias com o mundo, não . Cada um, da sua forma, mudou foi o mundo e esse era o nosso maior desejo coletivo quando tínhamos 17 anos. Reencontramos depois de muitos anos e me imprecionou o abraço, que era o mesmo também. Minutos de afeto trocados e explosão de uma energia que ali foi possível encontrar . Não éramos conhecidos, éramos divisores de um ideal que nos fazia dar o sangue em troca de sede de justiça. E meu deus, o que mais tenho pedido aos céus nesses meses, é justiça. Encontrá-los foi portanto uma certeza pequenininha de que o que eu tenho correndo na veia é algo que corre na mesma intensidade na veia de alguém. Alguéns. Foi nostálgico e importante. Recordamos o jornal que escrevíamos juntos no colégio, as pequenas revoluções que fazíamos nas ruas, as mudanças que decretamos na escola e o universo que abrimos ao assumirmos uma postura diante as escolhas da nossa juventude. Fomos felizes demais por termos sido assim...
No meio do encontro, Byron propôs um pacto que encontrou num filme do Kurosawa: a cada dia 24 de julho nos encontraríamos de novo. Unanimidade de aceitação...
Entre cinema, música, bonecos, teatro, letras e canções, meu velhos amigos vivem a arte como parte da essência que descobrimos há anos atrás. A mesma que me fez arrepiar quando me deparei em cada período meu.
Sem mais palavras, o desfecho que faço não traduz a emoção que eu senti. Cada um de nós sabe o que (re)vivemos ali e percebi que a ótica da vida muda com a experiência sim mas, o que somos no íntimo, não. Um brinde então ao desejo de ter essa história bem longa ainda e a outros que foram agregados nela por uma constante renovação de sonhos adquiridos!
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Vôo
Hoje meus amigos me fizeram voar.
Mais um pouco e ia pro céu, viva.
Se estiverem bem, fico também.
Vice-versa!
Mais um pouco e ia pro céu, viva.
Se estiverem bem, fico também.
Vice-versa!
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Cinco de setembro
Fiz um acordo com um grande amigo meu: o de escrever todos os dias, parte do meu dia. A razão pode ser um registro de memória, uma lembrança. Uma forma de existir deixando uma obra. Não sou existencialista, mas sempre pensei que o quando o homem escreve algo e morre, ele fica. Da mesma maneira quando se tem um filho e seus genes vão se perpetuando. Como naquela brincadeira “hoje não!” onde você dá um tapa na cabeça do camarada e ele vai dando em outro e outro e outro... isso também deve ser existir, porque existência não é um conceito muito longe da prática, o contrário! Existir é prática, talvez menos que pensar. Heresia! Pensar é existir, mas confesso que estou morrendo de preguiça dos pensamentos complexos, das masturbações mentais, do ego e da vaidade. Ainda que com preguiça, não fujo à regra. Sou vaidosa com meu pensamento. Cuido dele mais que de minha própria pele, e confesso também que isso pode ser uma incrível burrice, afinal estou no mundo da aparência, do físico, da imagem. Quero um creme para massagear o pensamento.
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