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sábado, 8 de novembro de 2008

Olhar



Saudade dos olhares iguais a este. Simples, que dizem transparentes o que sentem, pensam e querem...

sábado, 26 de julho de 2008

Pedra Corrida



Este é o Emanuel, um garoto que por quase um ano foi a luz do meu dia em Pedra Corrida - Governador Valadares, um dos povoados que já trabalhei. Com esse sorriso ele vinha me contar do seu cotidiano, nada fácil. Brincava comigo e dava gargalhadas do meu "jeito de falar estranho". Eu poderia estar na tampa do stress num dia, mas quando ele chegava tudo ficava mais fácil. Emanuel queria me mostrar tudo: a escola dele, o pai, a mãe, o irmão pestinha, a pedra na rua, o carrinho velho, a bicicleta e o desenho novo. Cada mostra uma história que ele mesmo produzia fazendo qualquer coração de pedra balançar. Coração de Pedra. Coração de Pedra Corrida. Eu saí de lá, mas "lá" não saiu de mim ainda.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Parte uma da outra


Fuçando e mexendo arquivos antigos encontrei esta foto que me deixou estática e feliz. Agradeci ao universo por estar com uma máquina fotográfica ali, naquele dia, naquela hora. Bisavó, avó querida, mamãe e eu. Quatro gerações de mulheres que acumulam parte uma da outra, fortaleza e sabedoria. O equilíbrio é isto: duas no céu e duas na terra cumprindo missão e seguindo caminho. Lembro das gargalhadas de uma, do sorriso emocionado de outra, das mãos de todas elas juntas. Felicidade é poder aproveitar de um colo tão bom enquanto se pode, enquanto o destino não te prega peças que são contra o seu desejo. O olhar que tenho hoje é que meu reforço espiritual está duplamente fortalecido, por duas guerreiras que souberam ser mães, pais, mulheres, filhas e acima de tudo souberam amar e ensinar o que vem a ser o amor. Os que compreenderam são igualmente felizes neste momento. Meu sangue pulsa o que elas foram e são, em cada traço meu.

Extinção


Quase tudo nesta foto foi extinto. O caminho está sob metros e metros d'água, não existe mais e o carro eu bati num poste e também não existe mais. Restou eu, com as lembranças de um tempo difícil e feliz. Tempo de viver e principalmente sobreviver. Cada manhã um desafio físico e inesperado, dias que não tinham como ser iguais. Cansada, recebia de presente um crepúsculo e o laranja do céu que estrelava mais tarde. Mirava até onde a água chegaria um dia e pensava somente em dormir. No silêncio ouvia bichos indecifráveis, criaturas desconhecidas que vinham abrigar na luz da minha choupana. Aceitava dividir o espaço, afinal de contas eu havia invadido o espaço que era deles. Não consigo entender a saudade que eu sinto de toda aquela dificuldade, daquele lugar perdido e distante. Um tempo de extrema solidão e companhia de mim mesma, mas que me surpreendia pelo modo de vida simples e desengonçado de toda aquela gente que também sobreviveu à água e paradoxalmente à falta dela. Seca, terra rachada, pés descalços e poeira nos joelhos. O céu estrelado me bastava para querer ver um outro dia nascer.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Diariamente

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Existem coisas que ainda que as repita em outro tempo, não fazem o mesmo sentido. Mas há sempre a possibilidade de relembrar de um jeito diferente a lembrança boa do que passou. Ainda que não volte, chega um momento que esse traço deixa de ser dor e vira saudade, que pode doer ou não. "Diariamente" retratava meus dias num lugar que tinha paixão e amor misturados. Lugar que quando pisava na terra, acontecia tudo que era magia dentro de mim. Encontro com a virtude mais difícil de encontrarmos, segundo os filósofos: A Simplicidade. Hoje encontrei perdido nas minhas coisas um cartão que eu mesma comprei pra mim escrito " Sejam simples", e nele uma formiga com uma palha na boca e uma minhoca com chapéu de campo. Nasci na cidade grande, mas a primeira vez que pisei nesse lugar, que encontrei pessoas que não se importavam com a roupa que eu estaria usando e nem se eu tinha cara ou não de psicóloga, me encontrei, de certa maneira. "Diariamente" retrata isso e muito mais. Fala de momentos inesquecíveis, simples, como tomar banhos deixando a água se misturar com os sonhos. Escrevo agora e relembro com uma vontadezinha de chorar, mas em pouco tempo isso vai ser motivo de rir ao lembrar de uma parte da minha vida que se foi por motivo compulsório, não por escolha minha. Se há agora um desejo realmente verdadeiro em mim, é o de que eu possa não me petrificar com tudo que me aconteceu e continuar reconhecendo o valor da simplicidade nas coisas e pessoas. Diariamente...

domingo, 22 de junho de 2008

Nossa Senhora do Rosário

Amanhã é o dia de Nossa Senhora do Rosário. A protetora que escolhi pra minha vida. Mãe dos homens pretos, do congado, dos catopês, pobres e simples. A festa do Rosário é uma das minhas paixões. A igrejinha azul, as bandeirinhas, o mastro e a dança dos negros, tudo me emociona. No ano passado estava na festa. Foi um dia emocionante e muito feliz. Decidi-me casar numa igreja do Rosário, com vestido simples e fitas coloridas no cabelo. Sonho que durou menos de um ano. Menos que uma festa do Rosário.
Minha vontade é reviver aquela festa, aquela emoção e aquelas pessoas com uma fé imensa e firme. Entraria no rio dessa vez, de roupa e tudo e pegaria nela, afim de pedir-lhe que cuidasse de mim... Ainda lembro daquele sino na mão da velha, dos reis e rainhas pretos, dos fogos de artifício. Saudade do tempo que o que assustava era fogo no céu. Mãe do Rosário, cuida de mim.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

terça-feira, 17 de junho de 2008

Ela se foi

Ela se foi e deixou o sorriso de lembrança. Hora difícil para perder alguém que se ama tanto, mas qual é o momento certo de perder alguém? Talvez a melhor maneira de se viver seria a que instigasse o modo de vida em que ninguém tivesse a pretensão de TER as pessoas.
Ela se foi e deixou a certeza de que vale a pena amar alguém com intensidade e respeito. Pra se ter história, pra se fazer seqüência na vida de outros e aprimorar o que temos dentro da casca, aquela parte que não apodrece para alguns.
Não sou capaz de aqui designar palavras de homenagem. Sou parte dela e dela virão outras partes... Pessoa assim não morre nunca.