Novamente aqui.
Não quero mais proibir-me do desejo de chegar ao outro através da escrita.
Estou de volta!
Seja bem vindo(a)!
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
segunda-feira, 30 de março de 2009
Trilha nova
Natal. Que significa nascimento, recomeço, paz. Combina com meu nome: Renascimento. Já nasci mais de duas vezes, com certeza. Tudo novo agora: Estado, Cidade, trabalho, morada. Muita coisa!
Sou bicho do mato de Minas mas vislumbro ser também do mar. Mais tartaruga que ouriço, mais peixe n`agua do que fora dela. No mar, também encontrei um mato. Trilha nova, pequena perto das outras tantas, mas linda por sua diferença. É assim: você está na mata atlântica, pisando sobre areia branca(curiosíssima), e de repente! abre um caminho no meio das dunas e você vê o mar em seguida. A reação é mineira mesmo: Nuuuuuu! (todo mundo ri desse nú por aqui) e quando aparece ali, o mar, não há o que fazer a não ser agradecer pela visão, sensação e milagre real. Agradecer por estar aqui, descobrindo os espaços, as pessoas e a mim mesma.
Estou de volta ao Blog porque tudo pode ser novo e diferente, só a saudade que eu sinto sempre que não é.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Recomeço
Quando eu voltei da Europa despertou uma vontade grande de não morar mais no Brasil. Inúmeros fatores: respeito, justiça, honestidade, confiança, segurança e dignidade. Valores que no meu País estão cada vez mais esquecidos. Eu gostei de pagar o ônibus e ninguém me cobrar a passagem, gostei de andar na rua sem medo de alguém me pegar, gostei do respeito no trânsito, na rua, nos espaços.
Resolvi então ir embora para outro lugar: a Austrália. Tenho amigos queridos por lá que seriam minha referência no momento difícil que eu estava. Comecei a juntar os papéis, a organizar os passos para o visto. Numa agência escutei: "a única coisa que você não pode ter para ir para a Austrália é tuberculose, porque eles desconhecem o tratamento da doença e não tem nenhum caso no País. Está tudo bem com seus pulmões ne?". Óbvio que estava, pensei.
Os dias foram passando, e cada vez mais eu me dedicava a procurar coisas sobre o curso que eu faria no outro lado do mundo. Já não saía muito do quarto, queria que passasse logo os dias e que chegasse a hora de embarcar. Parecia uma fuga. Mas era mesmo e eu tinha todos os motivos pra querer fugir daqui. Não ia pagar um preço tão alto de deixar minha família aqui à toa.
Até que os dias foram ficando longos demais. Estava incomodada com minha falta do que fazer, uma vez que sempre fui de fazer tanta coisa de uma vez só. Decidi atender umas crianças num abrigo aqui perto de casa, até o momento de ir embora. E no primeiro dia de trabalho, senti calafrios e um pequeno mal estar. Cheguei em casa, coloquei o carro na garagem e fui para o meu quarto. Não consegui chegar até minha cama...de repente uma falta de ar absurda, muita tosse e muito vômito. Fui levada para o hospital, tomei um pouco de oxigênio e já estava me preparando para voltar quando o médico disse: "Renata? está bem?". Estou sim, já quero ir embora. Pode não querer esse remédio para o vômito porque já passou? Ele disse: " Não, vai ser necessário tomá-lo mais um pouco." Pensei: nem podemos escolher o que achamos ser melhor pra gente, mas paciência, esperar o outro pra me liberar. E o outro veio. Dirigindo-se à minha mãe disse: "Como ela chama?" Eu disse: Renata! "Ó, seguinte, vou ter que te internar, seu raio-x não veio bom não". Falei: Mas eu estou bem, posso ir pra casa e voltar amanhã? Ele disse que não...
E aí começou uma história difícil, mas muito importante. No outro dia cedo, eu estava isolada, com pessoas usando máscaras pra chegar até a mim, e com o recado que um pneumonologista viria me visitar em breve. Ele veio, conversou comigo e disse: "Renata você tem um quadro avançado de tuberculose, vamos ter que fazer alguns exames". Eu estava com o oxigênio e o aparelho de nebulizador no nariz. Tirei os dois e falei com ele: Tuberculose?!? Tô no século dezoito? E ele já foi logo voltando com o aparelho pro meu nariz.
Dessa parte até a que estou hoje, gostaria de passar uma borracha. Esquecer os dias de cama, de vômitos, de fraqueza. O importante é que tive mais de 26 dias para pensar no porquê de tudo isso comigo. Como eu tinha tantas lesões nos pulmões e como isso foi se alastrando dentro de mim. Parei de perguntar o porquê, e comecei a bater no pra quê! E fui encontrando muita sujeira que eu guardei debaixo do tapete, muita mágoa, tristeza, decepção. O tratamento iniciou e fiquei internada três vezes por conta dele. Os remédios pra mim eram como bombas que explodiam a doença mas todo o meu organismo também. E eu só vomitava, vomitava, vomitava.
Nesses dias, apareceu muita gente pra ajudar. Uma ajuda que não necessariamente tirava o meu vômito ou a minha perda de peso ou minha fraqueza. Mas ajuda humana, que me fazia acreditar que aquilo tudo ia passar uma hora. Minha família é única, especial, diferente. Meus amigos são preciosidades que não se encontram mais por aí. Algumas pessoas seguravam minha cabeça enquanto eu vomitava, e essa ajuda pra mim era a maior do mundo naquele momento, porque eu de tão fraca, não conseguia segurar o corpo. Outros, faziam preces em silêncio, abastecendo o meu organismo de energia que eu precisava tanto. Formou-se uma grande corrente, que eu não tenho noção da dimensão.
Fui internada novamente e descobriram uma sequência de coisas... entre elas uma hepatite medicamentosa muito forte. Suspenderam então todos os remédios que eu tomava. Só da tuberculose eram seis. Foi aí que comecei a me alimentar novamente. Tirados os demônios que me bombardeavam, pude comer. Passei fome, com vontade de comer, com comida, sem poder segurar no estômago. Fome dói, nunca imaginei que fosse sentir isso.
Depois de biópsia, tubo no pulmão, exames, furos, injeções e vômitos, veio a melhora. Uma melhora muito rápida, uma sensação estranha que não consigo descrever. Mas era uma vontade de comer tudo, de viver tudo, de andar dentro de casa, sentar na cama, tomar banho sozinha. Uma renovação que mudou meu quarto, retirando lembranças de um tempo que não quero mais lembrar, mudou meu pensamento em relação aos pobres humanos que eu tinha raiva, mudou minha percepção do meu corpo e mente. Vi que a medicina ainda é muito primitiva, mesmo com tanta tecnologia. Ela não trata uma pessoa, trata uma coisa na pessoa sem se importar o que tudo na pessoa vai sentir. vontade de gritar: EU NÃO SOU SÓ UM PULMÃO. PAREM DE ME MATAR TENTANDO SALVAR. E eu gritei. Procurei terapias alternativas, tratamentos diversificados. A doença sumiu do mesmo jeito que apareceu: do nada. E agora estão investigando que tipo de PNEUMONIA é essa que eu tenho.
Esses dias foram um tempo difícil mas posso dizer com certeza absoluta que foi o tempo mais importante da minha vida. Onde pude fazer escolhas que me deixaram novamente de pé. Nada além da sua saúde tem importância quando você está achando que vai morrer. Nada. Nem trabalho, nem dinheiro, nem namorado, nada. E quando você volta desta experiência, volta diferente, mais forte, equilibrado. Os desejos são coisas simples: segurar o sobrinho no colo, ver a luz do sol de pé, tomar água no filtro, comer sem ter que escorar. Escrever.
Não cheguei ao final do processo, mas estou no meio de uma transição. Um ciclo de muitas coisas difíceis está se fechando e eu já vejo a abertura de outro aqui dentro de mim. Estou no caminho, bem mais leve que outros já passados. Bem mais feliz também. Lembrei da frase do Jung, que um amigo me escreveu: "Quem olha pra fora sonha, quem olha pra dentro desperta"...
Resolvi então ir embora para outro lugar: a Austrália. Tenho amigos queridos por lá que seriam minha referência no momento difícil que eu estava. Comecei a juntar os papéis, a organizar os passos para o visto. Numa agência escutei: "a única coisa que você não pode ter para ir para a Austrália é tuberculose, porque eles desconhecem o tratamento da doença e não tem nenhum caso no País. Está tudo bem com seus pulmões ne?". Óbvio que estava, pensei.
Os dias foram passando, e cada vez mais eu me dedicava a procurar coisas sobre o curso que eu faria no outro lado do mundo. Já não saía muito do quarto, queria que passasse logo os dias e que chegasse a hora de embarcar. Parecia uma fuga. Mas era mesmo e eu tinha todos os motivos pra querer fugir daqui. Não ia pagar um preço tão alto de deixar minha família aqui à toa.
Até que os dias foram ficando longos demais. Estava incomodada com minha falta do que fazer, uma vez que sempre fui de fazer tanta coisa de uma vez só. Decidi atender umas crianças num abrigo aqui perto de casa, até o momento de ir embora. E no primeiro dia de trabalho, senti calafrios e um pequeno mal estar. Cheguei em casa, coloquei o carro na garagem e fui para o meu quarto. Não consegui chegar até minha cama...de repente uma falta de ar absurda, muita tosse e muito vômito. Fui levada para o hospital, tomei um pouco de oxigênio e já estava me preparando para voltar quando o médico disse: "Renata? está bem?". Estou sim, já quero ir embora. Pode não querer esse remédio para o vômito porque já passou? Ele disse: " Não, vai ser necessário tomá-lo mais um pouco." Pensei: nem podemos escolher o que achamos ser melhor pra gente, mas paciência, esperar o outro pra me liberar. E o outro veio. Dirigindo-se à minha mãe disse: "Como ela chama?" Eu disse: Renata! "Ó, seguinte, vou ter que te internar, seu raio-x não veio bom não". Falei: Mas eu estou bem, posso ir pra casa e voltar amanhã? Ele disse que não...
E aí começou uma história difícil, mas muito importante. No outro dia cedo, eu estava isolada, com pessoas usando máscaras pra chegar até a mim, e com o recado que um pneumonologista viria me visitar em breve. Ele veio, conversou comigo e disse: "Renata você tem um quadro avançado de tuberculose, vamos ter que fazer alguns exames". Eu estava com o oxigênio e o aparelho de nebulizador no nariz. Tirei os dois e falei com ele: Tuberculose?!? Tô no século dezoito? E ele já foi logo voltando com o aparelho pro meu nariz.
Dessa parte até a que estou hoje, gostaria de passar uma borracha. Esquecer os dias de cama, de vômitos, de fraqueza. O importante é que tive mais de 26 dias para pensar no porquê de tudo isso comigo. Como eu tinha tantas lesões nos pulmões e como isso foi se alastrando dentro de mim. Parei de perguntar o porquê, e comecei a bater no pra quê! E fui encontrando muita sujeira que eu guardei debaixo do tapete, muita mágoa, tristeza, decepção. O tratamento iniciou e fiquei internada três vezes por conta dele. Os remédios pra mim eram como bombas que explodiam a doença mas todo o meu organismo também. E eu só vomitava, vomitava, vomitava.
Nesses dias, apareceu muita gente pra ajudar. Uma ajuda que não necessariamente tirava o meu vômito ou a minha perda de peso ou minha fraqueza. Mas ajuda humana, que me fazia acreditar que aquilo tudo ia passar uma hora. Minha família é única, especial, diferente. Meus amigos são preciosidades que não se encontram mais por aí. Algumas pessoas seguravam minha cabeça enquanto eu vomitava, e essa ajuda pra mim era a maior do mundo naquele momento, porque eu de tão fraca, não conseguia segurar o corpo. Outros, faziam preces em silêncio, abastecendo o meu organismo de energia que eu precisava tanto. Formou-se uma grande corrente, que eu não tenho noção da dimensão.
Fui internada novamente e descobriram uma sequência de coisas... entre elas uma hepatite medicamentosa muito forte. Suspenderam então todos os remédios que eu tomava. Só da tuberculose eram seis. Foi aí que comecei a me alimentar novamente. Tirados os demônios que me bombardeavam, pude comer. Passei fome, com vontade de comer, com comida, sem poder segurar no estômago. Fome dói, nunca imaginei que fosse sentir isso.
Depois de biópsia, tubo no pulmão, exames, furos, injeções e vômitos, veio a melhora. Uma melhora muito rápida, uma sensação estranha que não consigo descrever. Mas era uma vontade de comer tudo, de viver tudo, de andar dentro de casa, sentar na cama, tomar banho sozinha. Uma renovação que mudou meu quarto, retirando lembranças de um tempo que não quero mais lembrar, mudou meu pensamento em relação aos pobres humanos que eu tinha raiva, mudou minha percepção do meu corpo e mente. Vi que a medicina ainda é muito primitiva, mesmo com tanta tecnologia. Ela não trata uma pessoa, trata uma coisa na pessoa sem se importar o que tudo na pessoa vai sentir. vontade de gritar: EU NÃO SOU SÓ UM PULMÃO. PAREM DE ME MATAR TENTANDO SALVAR. E eu gritei. Procurei terapias alternativas, tratamentos diversificados. A doença sumiu do mesmo jeito que apareceu: do nada. E agora estão investigando que tipo de PNEUMONIA é essa que eu tenho.
Esses dias foram um tempo difícil mas posso dizer com certeza absoluta que foi o tempo mais importante da minha vida. Onde pude fazer escolhas que me deixaram novamente de pé. Nada além da sua saúde tem importância quando você está achando que vai morrer. Nada. Nem trabalho, nem dinheiro, nem namorado, nada. E quando você volta desta experiência, volta diferente, mais forte, equilibrado. Os desejos são coisas simples: segurar o sobrinho no colo, ver a luz do sol de pé, tomar água no filtro, comer sem ter que escorar. Escrever.
Não cheguei ao final do processo, mas estou no meio de uma transição. Um ciclo de muitas coisas difíceis está se fechando e eu já vejo a abertura de outro aqui dentro de mim. Estou no caminho, bem mais leve que outros já passados. Bem mais feliz também. Lembrei da frase do Jung, que um amigo me escreveu: "Quem olha pra fora sonha, quem olha pra dentro desperta"...
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
De volta
Estou de volta e às voltas com a sedenta vontade de viver.
Saudade da escrita, de andar na rua, de sentir o sol.
Em breve novos escritos e nova vida...
Saudade da escrita, de andar na rua, de sentir o sol.
Em breve novos escritos e nova vida...
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Atitude
Esses dias pensei em abandonar o blog. Bateu um medo de provocar nas pessoas sentimentos negativos com as minhas histórias. Isso junto com a dedicação do meu tempo à um projeto de um amigo, distanciou-me da escrita. Fui escrever e estava sem insiração pra contar um caso, relatar uma história ou opinar sobre qualquer coisa.
O que me fez mudar de idéia foi que em todos os dias, ainda que pareçam iguais, alguém me toca com alguma coisa dita, expressada ou recalcada. Se abrir os olhos sempre vai encontrar alguma coisa que te chame atenção. Foram duas coisas nesta semana que me despertaram vontade em escrever.
Uma foi uma criança da minha família que com uma cena, confirmou o que penso sobre as crianças: não são apenas infantes que não sabem das coisas, possuem julgamento próprio e são capazes de saber o que é certo e errado frente ao outro. Pois bem, Rafael - já comentado neste espaço - tem menos de dois anos e seus pais receberam em sua agenda escolar uma observação que ele mordeu um coleguinha da escolinha quando esse tentou tomar um brinquedo seu. Fizeram a intervenção correta. Quando Rafael chegou em casa e sua mãe foi ler o bilhete em voz alta, o garotinho começou a chorar, espernear e puxá-la para o quarto longe das pessoas que estavam na sala de casa. Expressou vergonha diante do bilhete e da acusação da violência com o amiguinho. A intervenção de minha tia foi bastante coerente e simples: Fazer isso com qualquer pessoa dói, não pode bater, nem morder, nem fazer o coleguinha chorar. Fiquei pensando que milhares de pais diriam o inverso: "Defenda-se mesmo! mordeu tem que morder também!" E diante dessa lucidez da minha tia, o pequeno foi se acalmando mas ainda não se sentia a vontade para encarar os demais que estavam na sala. Pergunto: culpa é uma coisa boa de sentir? em muitos casos sim, prova de não perversão em vários casos. Mas a questão aqui é outra: Desde cedo, as pessoas podem escolher entre o certo e o errado diante situações violentas. Sofremos com a moral sim, mas saber o que é certo e errado nem sempre é um castigo, é uma questão de posicionamento diante das coisas. Quando vejo violência e reproduzo violência, sou tão injusto quanto quem começou. E sobre a justiça, Ghandi deu pra mim o melhor exemplo: "Se cometes uma injustiça e eu me calo diante dela, então a injustiça também é minha". Ia comentar a segunda coisa, mas vou ficar por aqui mesmo. Essa já deu pano pra manga.
O que me fez mudar de idéia foi que em todos os dias, ainda que pareçam iguais, alguém me toca com alguma coisa dita, expressada ou recalcada. Se abrir os olhos sempre vai encontrar alguma coisa que te chame atenção. Foram duas coisas nesta semana que me despertaram vontade em escrever.
Uma foi uma criança da minha família que com uma cena, confirmou o que penso sobre as crianças: não são apenas infantes que não sabem das coisas, possuem julgamento próprio e são capazes de saber o que é certo e errado frente ao outro. Pois bem, Rafael - já comentado neste espaço - tem menos de dois anos e seus pais receberam em sua agenda escolar uma observação que ele mordeu um coleguinha da escolinha quando esse tentou tomar um brinquedo seu. Fizeram a intervenção correta. Quando Rafael chegou em casa e sua mãe foi ler o bilhete em voz alta, o garotinho começou a chorar, espernear e puxá-la para o quarto longe das pessoas que estavam na sala de casa. Expressou vergonha diante do bilhete e da acusação da violência com o amiguinho. A intervenção de minha tia foi bastante coerente e simples: Fazer isso com qualquer pessoa dói, não pode bater, nem morder, nem fazer o coleguinha chorar. Fiquei pensando que milhares de pais diriam o inverso: "Defenda-se mesmo! mordeu tem que morder também!" E diante dessa lucidez da minha tia, o pequeno foi se acalmando mas ainda não se sentia a vontade para encarar os demais que estavam na sala. Pergunto: culpa é uma coisa boa de sentir? em muitos casos sim, prova de não perversão em vários casos. Mas a questão aqui é outra: Desde cedo, as pessoas podem escolher entre o certo e o errado diante situações violentas. Sofremos com a moral sim, mas saber o que é certo e errado nem sempre é um castigo, é uma questão de posicionamento diante das coisas. Quando vejo violência e reproduzo violência, sou tão injusto quanto quem começou. E sobre a justiça, Ghandi deu pra mim o melhor exemplo: "Se cometes uma injustiça e eu me calo diante dela, então a injustiça também é minha". Ia comentar a segunda coisa, mas vou ficar por aqui mesmo. Essa já deu pano pra manga.
domingo, 29 de junho de 2008
O início
Mudei o início do blog. Não é sempre que podemos mudar o início das coisas. Quando posso, mudo! Mas quero tecer agora: retalhos e pedaços, fuxicos não.
Vira inteiro hora dessas. Vira "causo" bom de contar...
Vira inteiro hora dessas. Vira "causo" bom de contar...
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Perda
No dia em que ela se foi, aconteceu muita coisa.
Revivi na porta do hospital que ela estava o horror de um mês anterior. Ele, ex presidente de uma multinacional, achou que pudesse ter tudo, inclusive o sentimento das pessoas. Comigo viu que nem tudo pode ser comprado, nem tudo pode ser determinado pelo poder. Esse deve ser o seu grande tormento. Ser mulher não significa ser deslumbrada pelo poder e almejar coisas. No momento não consigo definir o que é ser mulher também, só o que não tenho que ser. Basta por hora.
Não consigo definir a perda também, diante de tantas ao mesmo tempo: Minha avó, meu trabalho, a pessoa que eu amava e meu sossego. Dias de inferno e pesadelo, de tormento e encontro com o real da violência. O covarde colocou uma arma na minha cabeça e me prendeu com algemas. Torturou até se dar por vencido diante de sua covardia. Nesse dia, eu morri e voltei a viver. E agora, quero parar de morrer.
Revivi na porta do hospital que ela estava o horror de um mês anterior. Ele, ex presidente de uma multinacional, achou que pudesse ter tudo, inclusive o sentimento das pessoas. Comigo viu que nem tudo pode ser comprado, nem tudo pode ser determinado pelo poder. Esse deve ser o seu grande tormento. Ser mulher não significa ser deslumbrada pelo poder e almejar coisas. No momento não consigo definir o que é ser mulher também, só o que não tenho que ser. Basta por hora.
Não consigo definir a perda também, diante de tantas ao mesmo tempo: Minha avó, meu trabalho, a pessoa que eu amava e meu sossego. Dias de inferno e pesadelo, de tormento e encontro com o real da violência. O covarde colocou uma arma na minha cabeça e me prendeu com algemas. Torturou até se dar por vencido diante de sua covardia. Nesse dia, eu morri e voltei a viver. E agora, quero parar de morrer.
Esse blog
Este espaço nasce de uma tentativa de existir de alguma maneira diante de perdas sequenciais e significativas num mesmo dia. Nunca aprendi tanto em tão pouco tempo. Nunca sofri tanto também. De toda maneira, o que não consigo dizer é traduzido em linhas que são analisadas por mim mesma, de tempo em tempo. Sinto que as palavras não estão amargas, mas com um quê de tristeza misturado com um desejo de melhora e superação. Esse espaço nasce de uma tentativa de viver de algum jeito, de querer produzir e alcançar algum sentimento no outro que lê. Desabafo ético com o comprometimento do que eu sinto traduzido em letra.
terça-feira, 17 de junho de 2008
Sem título
Posso viver sem você e sua companhia.
Sinto raiva de mim por ter acreditado que tudo poderia ser para sempre. Não pode.
Nada é de ninguém para sempre. E ninguém é para ninguém para sempre.
Lamento que os leitores enxerguem o pessimismo em minhas escritas, mas é que otimismo e intensidade não andam juntas em minha vida. Se otimista, sou superficial e se sou intensa sofro como parideira em beira de rio seco e sujo. Não me importo de ser intensa como sempre fui em todas as coisas ainda que sofra em todas as coisas. Há os que vêm para serem comuns, outros que o oposto sem assim o planejar. Natural como a condição da existência em que só se pode fugir se optar pela alienação. Quem me dera optar por ela, mas agora me encontro num caminho sem volta. Não há forma de voltar á ignorância apaziguadora da alma. O que dizia mesmo? Que posso viver sem você e sua companhia. Viver não é estar com os olhos abertos. Antes: abrir os olhos para a vida.
Sinto raiva de mim por ter acreditado que tudo poderia ser para sempre. Não pode.
Nada é de ninguém para sempre. E ninguém é para ninguém para sempre.
Lamento que os leitores enxerguem o pessimismo em minhas escritas, mas é que otimismo e intensidade não andam juntas em minha vida. Se otimista, sou superficial e se sou intensa sofro como parideira em beira de rio seco e sujo. Não me importo de ser intensa como sempre fui em todas as coisas ainda que sofra em todas as coisas. Há os que vêm para serem comuns, outros que o oposto sem assim o planejar. Natural como a condição da existência em que só se pode fugir se optar pela alienação. Quem me dera optar por ela, mas agora me encontro num caminho sem volta. Não há forma de voltar á ignorância apaziguadora da alma. O que dizia mesmo? Que posso viver sem você e sua companhia. Viver não é estar com os olhos abertos. Antes: abrir os olhos para a vida.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Restos
Quando o caminhão parou não imaginava que aquela cena traria água aos olhos. Caixas empoeiradas e tábuas enroladas em lona, restos de um relacionamento intenso e anteriormente eterno. Histórias se não são contadas transformam-se em trapos e coisas comuns, em lixo. A sorte é que outras mãos podem dar outro sentido ao resto que sobra. Outras pessoas podem resignificar as histórias e modificar o contexto de uma caixa empoeirada. Foi minha mãe que me ajudou a mudar essa história. Muita água, sabão e vontade. Em dois dias era outro quarto, outros móveis, outras cores. Em cada coisa tirei as lembranças do outro que era parte de mim e coloquei minha vivência. Enfeites do outro lado do mundo que conquistei sozinha, novos objetos, nova forma de arranjo. E ao dormir, era outro lugar, ainda que com visão semelhante ao velho e cheiro antigo de dias felizes. Engano pensar que o tempo que se passou é o tempo feliz da sua vida. O tempo de agora é que é. O tempo que vem, novo em folha para desenhar os seus dias e reescrever sua história. Existirão sempre os restos, e sempre a pergunta sartreana que me acompanha: o que farei com o que fizeram de mim até aqui? Hoje sei que com a ajuda de outras mãos posso, aos poucos,deixar as marcas desaparecerem por si mesmas e com o resto de mim, fazer tudo. Tudo novo.
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