Uma amiga me escreveu o seguinte: "Claude Bernard dizia: "o micróbio não é nada, o terreno, sim, é tudo. O que faz eclodir uma enfermidade são miríades de criaturas minúsculas e invisíveis. Agindo juntas, não são outra coisa que o corpo do espírito malígno. Elas não podem atacar a não ser aquele que, por si mesmo, abre uma brecha em sua alma... ou seja a vulnerabilidade orgânica é uma consequência imediata de um estado psiquico caracterizado com uma "brecha na alma" aberta "por si mesmo". Parece cruel mas é bonito. É um convite pra cuidar da alma, da psique... é isso o que mais quero fazer.
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quarta-feira, 24 de setembro de 2008
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
A nuvem
Tenho uma nuvem no peito, segundo os médicos. Ela está se movendo nos pulmões rapidamente, de um lugar para o outro, como se estivesse brincando com todos que ficam tentando descobri-la. Mas a brincadeira já está ficando sem graça e não quero saber de coisa estranha andando em mim. Vamos combinar, eu vivo na terra e você, nuvem, vive no céu. Cada um na sua.
O Corpo
" O filósofo grego Heráclito foi o autor do famoso comentário: não podemos entrar num rio duas vezes no mesmo lugar, já que ele está em constante mudança com a chegada de novas águas. O mesmo acontece com o corpo e todos nós nos parecemos muito mais com um rio do que com qualquer coisa petrificada no tempo e no espaço.
Se você pudesse ver seu corpo como realmente é, nunca o veria repetir-se. Noventa por cento dos átomos de nosso corpo não estavam nele há três meses. De certa forma, a configuração das células ósseas permanece a mesma; no entanto, átomos de todos os tipos atravessam livremente as paredes celulares, o que significa que adquirimos um novo esqueleto a cada três meses.
A pele se renova a cada mês; adquirimos novo revestimento no estômago a cada quatro dias com a renovação constante da superfície que entra em contato com os alimentos a cada cinco minutos; as céluas do fígado se renovam de modo mais lento,mas novos átomos flutuam tranquilamente através delas, como a água do leito de um rio, fabricando um fígado a cada seis semanas. Mesmo no interior do cérebro, cujas células não são substituídas depois que morrem, o teor do carbono, nitrogênio, oxigênio etc. é hoje inteiramente diverso do de um ano atrás.
O corpo humano continua parecendo o mesmo, dia a dia, mas através de processos de respiração, eliminação e outros vive em constante sistema de troca com o resto do mundo..." (Chopra, Deepak. A cura quântica.)
A cada dia você pode ser alguém diferente...
Se você pudesse ver seu corpo como realmente é, nunca o veria repetir-se. Noventa por cento dos átomos de nosso corpo não estavam nele há três meses. De certa forma, a configuração das células ósseas permanece a mesma; no entanto, átomos de todos os tipos atravessam livremente as paredes celulares, o que significa que adquirimos um novo esqueleto a cada três meses.
A pele se renova a cada mês; adquirimos novo revestimento no estômago a cada quatro dias com a renovação constante da superfície que entra em contato com os alimentos a cada cinco minutos; as céluas do fígado se renovam de modo mais lento,mas novos átomos flutuam tranquilamente através delas, como a água do leito de um rio, fabricando um fígado a cada seis semanas. Mesmo no interior do cérebro, cujas células não são substituídas depois que morrem, o teor do carbono, nitrogênio, oxigênio etc. é hoje inteiramente diverso do de um ano atrás.
O corpo humano continua parecendo o mesmo, dia a dia, mas através de processos de respiração, eliminação e outros vive em constante sistema de troca com o resto do mundo..." (Chopra, Deepak. A cura quântica.)
A cada dia você pode ser alguém diferente...
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Desconforto
A vida tem coisas estranhas, mas que ensinam muito. Foge às vezes da nossa capacidade de entendimento. Um dia eu estava na Suiça, comendo chocolate e comida tailandesa, no outro eu estava no hospital Julia Kubitchek numa maca no corredor sem colchão, tábua fria que doía a coluna. Com máscara, oxigênio e medo, as lágrimas escorriam dos meus olhos por várias coisas. Olhava pro lado e via o sofrimento alheio, olhava pra mim e via a vontade daquilo tudo acabar. Médicos, enfermeiros, assistentes, vinham tratar de um pulmão, de outra vesícula, do pé quebrado, mas não vinham tratar de gente, da gente. Gente não merece essas coisas, por mais filha da puta que a pessoa seja. Vi que todos somos iguais, e eu já tinha aprendido isso bem antes. Vontade de ter tido força suficiente pra não deixarem o velho daquele jeito, a menina daquele outro e eu assim. Enfim, estamos em época de eleição e vamos colocar lá "em cima" as pessoas que vão esbarrar nessa maldita política pública que nós temos. O pior que vamos eleger o cara que tá na lista do mensalão, o que financiou com dinheiro público a candidatura de outro, etc. Porque política não interessa ninguém, sofremos então as consequências. Gostamos do SUS, da falta de educação, da violência e como diz uma amiga minha, pagamos uma empregada doméstica pra ficar o dia todo em nossas casas enquanto os filhos dela ficam sozinhos na rua da favela. Isso é conforto. E tudo isso me causa grande desconforto. Não é a toa que não conseguem pegar fácil o meu sangue nos exames, porque o que eu devo ter na veia deve ser outra coisa...
sábado, 21 de junho de 2008
Postura
Há alguns meses descobri uma doença rara, auto-imune e degenerativa.
Pensei por algum tempo que não fosse verdade, que os exames estivessem errados e que nada aconteceria. Alguns dias depois não conseguia me mexer quando levantava pela manhã. Doía muito... quase todas as minhas articulações. No entanto, a medida que fui entendendo sobre a doença, ela parecia menor. Antes um monstro que assustava, hoje uma possibilidade de qualidade de vida. Curiosamente é uma doença que acontece com maior frequência em homens. Devo ser muito macha mesmo para ter isso.
Os dias foram passando e encontrei alento no meu companheiro na época, em meus amigos e alguns familiares que souberam a seu modo. Cura, por enquanto não tem, mas quando me lembro da primeira médica que fui vejo que a medicina está longe de saber do que acontece exatamente no corpo humano... Por isso aposto tanto na mente.
Ouvi falar em cadeira de rodas com 29 anos e isso não era justo também. Não naquele momento, topo da carreira e da vida. Por fim, vi que não seria o maior problema se isso acontecesse, o maior problema seria desistir de tentar tudo que tivesse. Tudo é pouco, mas é muito. O que me deixou muito triste na época foi o fato de ser uma doença auto-imune. Era como eu me voltar contra mim mesma. Inaceitável por esse lado, mas compreensível tendo em vista o modo de vida que sempre levei, preocupada com coisas de trabalho, viciada nele.
Bom, hoje é diferente. Tenho dores mas não me consomem mais como antes. Pedi ao céu que me ajudasse, e acredito que me ajudou muito. A espondilite anquilosante é hoje um nome feio, mas não um bicho de sete cabeças mais. Tento todo dia não deixar que aconteça o que diz a internet, os médicos e os livros.
É muito interessante como você começa a valorizar coisas que não fazia antes: subir escada correndo, correr, segurar criança no colo, ficar confortável na cadeira do cinema. Cuido mais de mim hoje, graças a espondilite. De tudo, não foi pra me deixar torta que isso aconteceu, mas acredito que para me manter ereta e com postura diante da vida e das coisas...
Pensei por algum tempo que não fosse verdade, que os exames estivessem errados e que nada aconteceria. Alguns dias depois não conseguia me mexer quando levantava pela manhã. Doía muito... quase todas as minhas articulações. No entanto, a medida que fui entendendo sobre a doença, ela parecia menor. Antes um monstro que assustava, hoje uma possibilidade de qualidade de vida. Curiosamente é uma doença que acontece com maior frequência em homens. Devo ser muito macha mesmo para ter isso.
Os dias foram passando e encontrei alento no meu companheiro na época, em meus amigos e alguns familiares que souberam a seu modo. Cura, por enquanto não tem, mas quando me lembro da primeira médica que fui vejo que a medicina está longe de saber do que acontece exatamente no corpo humano... Por isso aposto tanto na mente.
Ouvi falar em cadeira de rodas com 29 anos e isso não era justo também. Não naquele momento, topo da carreira e da vida. Por fim, vi que não seria o maior problema se isso acontecesse, o maior problema seria desistir de tentar tudo que tivesse. Tudo é pouco, mas é muito. O que me deixou muito triste na época foi o fato de ser uma doença auto-imune. Era como eu me voltar contra mim mesma. Inaceitável por esse lado, mas compreensível tendo em vista o modo de vida que sempre levei, preocupada com coisas de trabalho, viciada nele.
Bom, hoje é diferente. Tenho dores mas não me consomem mais como antes. Pedi ao céu que me ajudasse, e acredito que me ajudou muito. A espondilite anquilosante é hoje um nome feio, mas não um bicho de sete cabeças mais. Tento todo dia não deixar que aconteça o que diz a internet, os médicos e os livros.
É muito interessante como você começa a valorizar coisas que não fazia antes: subir escada correndo, correr, segurar criança no colo, ficar confortável na cadeira do cinema. Cuido mais de mim hoje, graças a espondilite. De tudo, não foi pra me deixar torta que isso aconteceu, mas acredito que para me manter ereta e com postura diante da vida e das coisas...
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