Abro a porta e saio com o lixo. São dez da noite.
O sensor não acende a maldita luz.
O coração acelera, o peito fica ofegante, a garganta seca.
Tremem as pernas.
Parar, voltar ou seguir em frente?
Quase nunca tive dúvida, desta vez sim.
Mas segui. Em frente e com coragem. Sempre.
Assim aprendi.
A luz acendeu. Claro, não sou da escuridão.
Coração voltou ao normal e consegui executar a simples leva do lixo pra fora.
O que está havendo comigo?
Só eu sei.
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domingo, 9 de janeiro de 2011
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Força
O nome dela é Aline e tem onze anos. Fui encontrá-la pensando que talvez estivesse quietinha, indisposta. Fui surpreendida quando ela mesmo abriu a porta de casa com um grande sorriso. A garotinha descobriu há três meses que tinha um tumor no cérebro e agora estava de volta à sua casa depois da terceira cirurgia na cabeça. Por ser sobrinha de amigos da família, eu acompanhava o caso dela de longe, num momento em que eu também estava de cama. Cheguei a pensar nela no dia da minha biópsia. Se ela, tão criança, estava enfrentando uma cirurgia tão complexa porque eu temeria um exame desses? E ela me deu força sem saber. O nosso encontro foi de muito riso e brincadeira. Levei folhas grandes e giz de cera. Não imaginava que coisa tão simples fosse dar tanta alegria. Eu olhava pra ela, olhos grandes, claros, lindos. Cabelo fininho todo raspado começando a crescer de novo. O sorriso apagava a cicatriz imensa e os gestos faziam qualquer ar de doença ir embora. A mãe, estava irradiante com a cura da filha e não há no mundo satisfação melhor que esta. Num dia difícil, marcado por lembranças que insistem as vezes em me perturbar, encontrei um motivo a mais para deixá-las do tamanho de um grão. Com a Aline, vi que o tempo de questionar o porquê das coisas já passou. Não há explicações que valham a pena para um câncer numa garotinha de onze anos e muitas outras coisas. Mas nisso tudo há uma coisa que vale a pena sim ressaltar. A força que cada um de nós tem. Desconhecida e poderosa...
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