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sábado, 11 de dezembro de 2010

Sono merecido

Viva!!!

Depois de tantos dias com pesadelos consecutivos, uma trégua de paz.

O máximo de ruim no sonho desta noite foi uma esteira que levava embora todas as minhas coisas.
Nada de ir embora agora, mesmo que a esteira leve as malas, bolsas, carteira, tudo.

Xô pesadelos. Esse inferno tem que acabar um dia. Já tá na hora , ne?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Medo

Quando você tá com medo e encontra alguém com mais medo que você em uma mesma situação, você enfia o seu medo entre as pernas e ajuda o outro. Não sei como, mas acontece. Aconteceu comigo.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Enxergar, ver e olhar.

(Escrito em Valadares, março de 2007)

As vezes tenho vontade incontrolável de ver além. Quem dera uma “espada justiceira com visão além do alcance”. Mas tranqüilidade me parece ser a visão do que nos é possível, exercício de paciência pra quem escuta além do alcance.

De tanto querer ver, encontro meu sossego na imagem congelada do outro que a minha máquina fotográfica captura. As minhas lentes são as conjuntivas do meu olhar, que pesca o outro que se faz em mim. Retrato o meu olhar, no outro.

Em Pedra Corrida, faço o exercício desse olhar. Num primeiro momento vejo, depois enxergo e por fim olho. Vêm à minha cabeça palavras de um texto do Freud: Necessidade, demanda e desejo. Tríade importante das nossas vidas. Faço analogia... Ver é uma necessidade fisiológica, coisa que nos permite captar o externo. Enxergar é um pouco mais que ver, é aquela visão de quem está procurando alguma coisa especifica no meio de tantas outras e por fim vem o olhar. Esse não é da ordem da fisiologia, não é da ordem da necessidade, nem da demanda de enxergar. O olhar é da ordem do desejo, particular e subjetivo de cada um. O olhar é seguido do que o nosso desejo desperta, em nós e no outro. E apesar de ter a necessidade de ver, e a demanda de enxergar, faço valer o meu olhar pelas lentes do meu desejo. É aquilo que só associado à palavra viva descreve o que ele diz. Palavra viva é aquela proferida da verdade de cada um.

De uma cadeira de Pedra Corrida vejo uma porta, enxergo um lugar e olho as pessoas. Vejo a menina que foi amassada por um carro, enxergo o pânico e olho a vontade dela em viver, amarrando os significantes que a compõe, tão pequena ainda. Ela me diz em uma brincadeira: "cuidado! Cuidado com o carro rápido na rua! Faz cicatriz na cabeça!" Essa mesma menina cai da bicicleta, vê o joelho ralado, ensaia um choro, vira para um lado, para o outro e olha pra ela mesma. Rapidamente, monta na bicicleta e sai andando com partes tortas, tremendo as mãozinhas no guidão. Eu vibro, silenciosamente no meu canto. Ainda que ela tenha medo, ela caminha... pequena guerreira, pequena e grande menina.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Inconsciente

Já me perguntaram onde é que fica o aparelho psíquico. Seria fácil se pudéssemos encontrá-lo como se acha por exemplo o aparelho circulatório. Assim, operaríamos as nossas decepções e nossos traumas e depois de sete dias de remédio, tudo voltaria como antes. Infelizmente (ou não)o aparelho psíquico é o único que é preso à alma e esta também não tem como operar. Esse aparelho, é o único que não existe igual no mercado, é só meu e só seu e tudo que há nele é o que você sempre foi e é. Costumo chamá-lo de iceberg porque é essa a imagem que faço dele. Grande parte encoberta sob o oceano gelado e pequeno fragmento de ponta cortante consciente. Lá em baixo das águas, fica o nosso inconsciente com todos os nossos desejos incrivelmente envelopados por realidade que criamos e vivemos para dar conta de não deixar que esse real venha à tona e nos desoriente. Aos poucos, o desejo vem a fios, e já é o suficiente para nos atormentar nos sonhos enquanto dormimos. Outros vêm bombasticamente no corpo, e por não escutá-los nos dominam como se eles fossem o que nos domina e não o contrário.Como parte sua te domina mais que você a ela? Assim me questiono se somos mais inconsciênca. É mais ou menos louco como um pensamento que tive outro dia sobre o dinheiro: Como algo que nós criamos nos domina mais que nós a ele? Se invento uma coisa, essa coisa deveria ser menos que eu e eu deveria ter o controle dela. No entanto, somos escravos do que criamos para teoricamente facilitar a vida. Isso é totalmente louco para mim. Bom, comecei a falar de loucura e acho que é melhor parar por aqui. O que eu não entendo é o motivo desse inconsciente ficar me "atazanando" enquanto durmo. Isso cansa mais que ficar acordada. Elabora logo ô coisa.

sábado, 21 de junho de 2008

Durma medo meu

Ouça essa música e lembre-se de mim...

Durma Medo Meu
O Teatro Mágico
Composição: Indisponível

Todo o chão se abre
No escuro, se acostuma
Às vezes a coragem é como quando a nova lua

Somos a discórdia
E o perdão
E nos esquecemos da cor que tinha o céu
Assim como a saudade
Ou uma frase perdida

Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu

Um não, às vezes um "não sei"
Janela, madrugada, luz tardia
E o medo nos acorda

Pára e bate o coração
Em pura disritmia
O medo amedronta o medo
Vela, madrugada, dia,
Assim como a saudade
Ou uma frase perdida

Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Perda

No dia em que ela se foi, aconteceu muita coisa.
Revivi na porta do hospital que ela estava o horror de um mês anterior. Ele, ex presidente de uma multinacional, achou que pudesse ter tudo, inclusive o sentimento das pessoas. Comigo viu que nem tudo pode ser comprado, nem tudo pode ser determinado pelo poder. Esse deve ser o seu grande tormento. Ser mulher não significa ser deslumbrada pelo poder e almejar coisas. No momento não consigo definir o que é ser mulher também, só o que não tenho que ser. Basta por hora.
Não consigo definir a perda também, diante de tantas ao mesmo tempo: Minha avó, meu trabalho, a pessoa que eu amava e meu sossego. Dias de inferno e pesadelo, de tormento e encontro com o real da violência. O covarde colocou uma arma na minha cabeça e me prendeu com algemas. Torturou até se dar por vencido diante de sua covardia. Nesse dia, eu morri e voltei a viver. E agora, quero parar de morrer.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Justiça

As palavras por si só não valem nada, graças aos que mentem.
Para se provar, tem que ser aprovado por alguém.
Acredito então na justiça interior, a de fora não pode ajudar.
A de dentro corrói a alma do covarde até que ele apodreça sob o próprio domínio de seus pensamentos. Ninguém suporta a própria mentira por muito tempo.