Janela da alma, porta do desconhecido de nós. É pelo olhar que se faz o mundo, que o julga e escolhe. Às vezes não consigo olhar. Medo que enxerguem minhas fraquezas e o que me assusta. Às vezes não consigo ser olhada também. Incomoda, desconcerta, dói. O Olhar do Outro, de certa forma, nos devora. Consome algo de nós porque leva consigo a imagem que deteve. Olhar não é enxergar nem ver. É além, estranhamento de uma revolução interna que contorce os dogmas que absorvemos toda uma vida. Quando se dispõe a olhar, as coisas mudam, o foco retrai, distende, amplia e se fecha. E se abre também. E mortifica e faz reviver. Depende do que se quer ver.