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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Fim do Mundo


Fui até o fim do mundo (e do poço) mas voltei.
O bom de ir é retornar.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Flores


Por todo lado que ando, vejo flores.
Muitas vezes as deixei passar despercebidas, hoje não!
Procuro-as de todas as formas e estilos.
Sei que curam, renovam e nos aproximam da leveza que precisamos.

Essa flor que encontrei é sábia.
Abre-se para a luz e fecha-se para o escuro.
Receita valiosa e feliz.

Flor da Paz.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Eu e ela frente a frente

Queria vê-la de toda forma. O resto não importava, porque o desejo de encontrá-la causava-me excitação das idéias. Esperei tanto por isso e fui calma ao seu encontro. Não era qualquer mulher, era ela. Como estaria? Sorrindo na certa. Ela sempre sorri, como eu.

Quando cheguei, não acreditei. Sua casa na França é um dos lugares mais interessantes que já vi. Imensa, com vitrais piramidais. Passei direto em tudo que eu via e fui como uma bala em sua direção. Estava lá. Parada, rodeada de gente. Assustei com o tamanho dela, decepcionei-me um pouco. Mas ela olhou pra mim e eu pra ela. Monalisa. Gioconda de Leonardo, meu artista favorito, acima de Dali. Ela olhava pra mim onde quer que eu estivesse. Perfeição dele...

No entanto, vinte segundos me bastaram. Virei e de frente à ela uma obra maior. Linda, exuberante. Bodas de Canã! Figuras humanas em tamanho real. Monalisa era irreal no tamanho. Dei costas a ela. Vi com os meus olhos o seu sorriso meio irônico, cínico talvez. Dei costas para suas rugas e sua acomodação típica de quem tem na barriga o rei. Em frente às Bodas, fiquei quase uma hora inteira. Cada detalhe levaria muito mais horas para decifrá-lo todo. Senti uma dorzinha na coluna e sentei. Mas tive que voltar lá. E quero voltar até hoje.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Conquista

Depois de toda confusão estava sempre com uma vontade de dormir. Uma satisfação em ficar debaixo das cobertas, como se elas fossem me proteger de tudo e de todos. Ficar muito tempo deitada me deixa com dores, então tive que fazer alguma coisa por mim.

Foi quando resolvi realizar sonho antigo e quase impossível considerando as dificuldades financeiras que esse sonho custava. Nunca tivemos dinheiro, mas sonho sempre me sobrou e apostando nele esperava conseguir um dia conhecer a Europa.

Então era hora e tempo certo de ir. Juntei o que sobrou dos anos de trabalho e fui sozinha. Decidi que seria em breve, em menos de duas semanas. Não houve planejamento nem dúvidas, só vontade e tentativa de sair de debaixo das cobertas.

O destino seria Lisboa, onde tenho um amigo que acompanhava aflito os últimos acontecimentos e tempestades. Só sabia que iria até ali, descansar, conversar, esquecer.

Mas de lá tudo foi fazendo sentido. Outros caminhos se abriram e fui a outros cinco países além de Portugal. Contatos de amigos antigos, que nunca se perderam pelas distâncias e que havia reciprocidade de carinho e admiração. Outros que conheci no caminho mesmo, a partir de um nada que fez muito sentido nos trinta dias dessa descoberta e realização.

Confesso que não foi fácil. As malas, as línguas e as diferenças foram desafios de todo dia. Mas quando é que todo dia não deixei de viver nenhum? O pensamento de que um dia, talvez pelas consequências da espondilite, não poderia fazer isso sozinha, me davam força o tempo para descobrir cada caminho novo do mundo velho.

De repente, tinha ido a 15 cidades de seis países e em cada uma delas, encontrei algo além da Primavera que irradiava esperança de vida. Encontrei pessoas, flores, risos, fotografias, arte! E como a arte cura meu Deus... Ela desperta o olhar pra além do nosso sofrimento. Muda a direção das nossas lentes que vêm somente a dor. Desperta desejos, sonhos e fascínios cobertos até aqui. Descobertos agora.

Cada lugar merece o seu lugar. Aos poucos escrevo sobre eles. O que importa agora é o que sempre soube e agora tenho certeza. Quando você realmente deseja uma coisa, ela pode acontecer. Cuide dos seus desejos, portanto.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Primavera

Pela primeira vez, senti a primavera reinando sozinha com todas as cores e movimentos que lhe pertencem. Não sei se consigo expressar aqui o que ela me transmitiu: Êxtase de vento acariciando seus cabelos sob um frio manso com sol de montanha que aquece sem esquentar.
Naquele dia na Alemanha, aconteceu algo que é maior que ver a primavera: senti-la, como eu em você e você em mim... Dentes-de-leão voavam em quantidade enorme por todo o parque e pessoas andavam dentro do cenário dividindo espaço com as cestas de flores azuis nas bicicletas. Parei um momento e agradeci a Deus, à vida e ao universo por aquele momento: mágico, único e meu. Quando me dei por totalmente agraciada de tudo eis que surge uma gaita escocesa tocando a música daqueles dias só para mim. Música que eu havia escutado assim, coincidentemente, em todos os lugares que eu pisei fora do meu País. Se abir os olhos e deixar o acaso te encontrar durante o dia, vai saber o que é ter extrema felicidade que dura segundos. Acaba rápido! por isso tem que estar atento ao toque dessa dama que não avisa se vai estar ali de bobeira ou não. Ela aparece do nada e te marca com um selo daquele tolo sorriso de esperança de encontrá-la novamente...

terça-feira, 17 de junho de 2008

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Fardo fado

Ouvi o primeiro fado na estrada de volta a Lisboa.
Todos têm um fado para cantar porque todos já viveram tragédias amorosas.
Penso que se suportas um fado por vinte minutos, as coisas cantadas são menores que suas coisas vividas. Eis o motivo por eu suportá-los horas e horas e horas.
O fardo que se carrega é mais doído que o fado que se vive.

Detalhe

No canto do quadro uma cena que ninguém percebe. Muito semelhante às nossas vidas. O surpreendente disso é que eu pude ter a certeza por alguns instantes que realmente é possível não enxergar mesmo que a coisa esteja ali estampada na sua frente, gritando como virgem desvirginada. Naquela época deveriam ter viseiras aos olhos como a de certos animais até hoje. Pior que viseira, algo pregado no olho que distorce o olhar para o que se quer ver e ninguém quer ver o insuportável. Estava ali no quadro, o homossexualismo, a critica ao deus inventado, o homem desfalecido de seu poder fálico e absoluto. Estava tudo ali, não enxergado e colocado nos altares das igrejas mais ortodoxas e sérias da época. O gênio não o era por ter pintado sem tintas, mas por ter exposto algo que só o olhar de alguns poderia ver. Mais uma vez a diferença sublime entre o ver, enxergar e olhar...