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quinta-feira, 2 de abril de 2009

Fato a mano



Simples. Gostosa. Qualquer semelhança terá sido mera coincidência.

Luz


Às vezes saímos por aí, sem rumo, procurando alguma coisa. De repente encontramos. É que quem procura acha e se encontrou é porque estava procurando. Às vezes me deparo com a luz no meio do caminho. Dos caminhos... E chego a me fascinar por ela. Verde, amarela, lilás, branca! Branca como o silêncio do encontro não com o outro, mas consigo mesmo. Queria luz e achei mas dói um pouco pensar que a luz uma hora se apaga. Aí de duas, uma. Ou deixa escurecer, ou reacende com o que construiu em silêncio no teu coração. Nunca gostei de ficar no escuro tateando a forma como as coisas são. Sou e gosto de ser da luz...

segunda-feira, 30 de março de 2009

Trilha nova




Natal. Que significa nascimento, recomeço, paz. Combina com meu nome: Renascimento. Já nasci mais de duas vezes, com certeza. Tudo novo agora: Estado, Cidade, trabalho, morada. Muita coisa!

Sou bicho do mato de Minas mas vislumbro ser também do mar. Mais tartaruga que ouriço, mais peixe n`agua do que fora dela. No mar, também encontrei um mato. Trilha nova, pequena perto das outras tantas, mas linda por sua diferença. É assim: você está na mata atlântica, pisando sobre areia branca(curiosíssima), e de repente! abre um caminho no meio das dunas e você vê o mar em seguida. A reação é mineira mesmo: Nuuuuuu! (todo mundo ri desse nú por aqui) e quando aparece ali, o mar, não há o que fazer a não ser agradecer pela visão, sensação e milagre real. Agradecer por estar aqui, descobrindo os espaços, as pessoas e a mim mesma.

Estou de volta ao Blog porque tudo pode ser novo e diferente, só a saudade que eu sinto sempre que não é.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Flores azuis


Encontrei essas flores. Lindas e incomuns.

domingo, 23 de novembro de 2008

Liberdade




Essas fotos foram feitas por um amigo meu, Tarcísio de Paula. Quando as vi, meu coração encheu-se de um sentimento forte de liberdade. Deu vontade de estar ali e participar com os olhos daquele momento. Sorte a nossa o Tarcísio ser sensível o suficiente para flagrar a cena e nos dar de presente algo tão bonito.
Para ver outras imagens dele clique aqui.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Garça



Andando pela Pampulha encontrei essa garça. Bonita.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Flor


Tudo que precisamos é colocado em nossas mãos...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Pequenez



A intimidade de uma gota d'agua é infinitamente mais bonita que toda a queda de uma nascente num paredão de pedra. Quem dera pudéssemos ver os detalhes das coisas, na sua pequenez. Pequenos milagres acontecem todo o tempo e não percebemos porque aguardamos o enorme, que vai cair do céu partido em dois. Quanta coisa acontece na fração de um pensamento...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Sempre é tempo de aprender



Meu primo Rafael, dois aninhos, fazendo sanduiche.

sábado, 26 de julho de 2008

Pedra Corrida



Este é o Emanuel, um garoto que por quase um ano foi a luz do meu dia em Pedra Corrida - Governador Valadares, um dos povoados que já trabalhei. Com esse sorriso ele vinha me contar do seu cotidiano, nada fácil. Brincava comigo e dava gargalhadas do meu "jeito de falar estranho". Eu poderia estar na tampa do stress num dia, mas quando ele chegava tudo ficava mais fácil. Emanuel queria me mostrar tudo: a escola dele, o pai, a mãe, o irmão pestinha, a pedra na rua, o carrinho velho, a bicicleta e o desenho novo. Cada mostra uma história que ele mesmo produzia fazendo qualquer coração de pedra balançar. Coração de Pedra. Coração de Pedra Corrida. Eu saí de lá, mas "lá" não saiu de mim ainda.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Reencontro



Hoje aconteceu um reencontro fascinante pra mim. Uns amigos do segundo grau, depois de mais ou menos 12 anos... Ficava imaginando como estariam as pessoas e me dava um certo medo de saber o que viraram depois de termos vivido nossas revoluções da adolescência. Um medo inseguro, bobo, de quem está acostumado a ver o mundo virar de cabeça pra baixo todos os dias. E o que mais me fez feliz neste encontro é que reconheci nos meus velhos amigos, a essência de cada um que não mudou. Mudaram fisicamente, mas aquela coisa que temos dentro da gente que nos acompanha em nossas atitudes diárias com o mundo, não . Cada um, da sua forma, mudou foi o mundo e esse era o nosso maior desejo coletivo quando tínhamos 17 anos. Reencontramos depois de muitos anos e me imprecionou o abraço, que era o mesmo também. Minutos de afeto trocados e explosão de uma energia que ali foi possível encontrar . Não éramos conhecidos, éramos divisores de um ideal que nos fazia dar o sangue em troca de sede de justiça. E meu deus, o que mais tenho pedido aos céus nesses meses, é justiça. Encontrá-los foi portanto uma certeza pequenininha de que o que eu tenho correndo na veia é algo que corre na mesma intensidade na veia de alguém. Alguéns. Foi nostálgico e importante. Recordamos o jornal que escrevíamos juntos no colégio, as pequenas revoluções que fazíamos nas ruas, as mudanças que decretamos na escola e o universo que abrimos ao assumirmos uma postura diante as escolhas da nossa juventude. Fomos felizes demais por termos sido assim...
No meio do encontro, Byron propôs um pacto que encontrou num filme do Kurosawa: a cada dia 24 de julho nos encontraríamos de novo. Unanimidade de aceitação...
Entre cinema, música, bonecos, teatro, letras e canções, meu velhos amigos vivem a arte como parte da essência que descobrimos há anos atrás. A mesma que me fez arrepiar quando me deparei em cada período meu.
Sem mais palavras, o desfecho que faço não traduz a emoção que eu senti. Cada um de nós sabe o que (re)vivemos ali e percebi que a ótica da vida muda com a experiência sim mas, o que somos no íntimo, não. Um brinde então ao desejo de ter essa história bem longa ainda e a outros que foram agregados nela por uma constante renovação de sonhos adquiridos!

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Janela


Das coisas que eu acho bonitas na vida, as janelas sempre tiveram um lugar especial no meu imaginário. Desde pequena me fascinam cada uma com seu jeito. Quando morava em Governador Valadares, sempre escolhia a poltrona 27 do ônibus para viajar, tinha janela grande e larga pra ver o céu a noite enquanto as curvas perigosas ficavam pra trás. O lugar que eu morava lá foi escolhido por conta da janela da sala. A janela era tão grande que era porta! e dela, eu via o pico do Ibituruna e a lua cheia apontando na serra.
No Jequitinhonha, as janelas encantavam pela simplicidade e exclusividade de cada forma de madeira semi aberta, pintada à mão. As senhoras ficavam debruçadas sobre elas, vendo o tempo acontecer e as novidades aparecerem. Vez ou outra alguém acenava com alegria e convidada pra um café à beira do fogão a lenha.
Um sonho com uma janela foi o motivo da minha viagem para o exterior. Lá eu virava de costas para tudo de ruim que me acontecia e via numa janela grande um lugar verde, sereno e bem distante. Pra lá fui e encontrei várias janelas que me fizeram sorrir. Da casa do Gonçalo via parte da querida Lisboa acordar; do quarto da Roberta via pequenas bicicletas trançarem por Bologna; do sótão do Antonio encontrava canteiros de flores azuis e vermelhas pregados nas janelas suiças; da janela do Fabian via a torre Eiffel piscar todas suas luzes à meia noite; do quarto do Gláucio via uma Alemanha linda que sobreviveu bravamente às guerras e da casa do Fernando assisti as ruas de Londres com toda a sua loucura. Mas houve uma janela muito especial, que a imagem durava apenas segundos e me fazia pensar na finitude e plenitude de aproveitar cada segundo. Foi da janela do trem que me emocionei várias vezes. Vez ou outra, o trem silenciava tudo e uma sensação de paz extrema tocava todo o meu corpo. Lá fora, campos amarelos que passavam rápido e quando eu percebia que era amarelo de flores, elas já tinham ficado pra trás. Era primavera, e eu vi os girassóis, os tetos que amparavam a neve no inverno, os campos que brotavam vida pouco a pouco dos seis meses intensos de frio. Impressionante como tudo brotava rápido sob a fraca luz do sol. É realmente preciso muito pouca luz para renovar todas as coisas e agora entendo minha aflição em ter morado no apartamento que eu vivia aqui perto. As janelas davam para outras janelas ocupadas e eu não via nada, porque não me interesso pela vida alheia. Não gosto de olhar e ver um muro à minha frente. Gosto de ver longe... porque de tanto mirar as coisas distantes, acabo chegando até lá.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Parte uma da outra


Fuçando e mexendo arquivos antigos encontrei esta foto que me deixou estática e feliz. Agradeci ao universo por estar com uma máquina fotográfica ali, naquele dia, naquela hora. Bisavó, avó querida, mamãe e eu. Quatro gerações de mulheres que acumulam parte uma da outra, fortaleza e sabedoria. O equilíbrio é isto: duas no céu e duas na terra cumprindo missão e seguindo caminho. Lembro das gargalhadas de uma, do sorriso emocionado de outra, das mãos de todas elas juntas. Felicidade é poder aproveitar de um colo tão bom enquanto se pode, enquanto o destino não te prega peças que são contra o seu desejo. O olhar que tenho hoje é que meu reforço espiritual está duplamente fortalecido, por duas guerreiras que souberam ser mães, pais, mulheres, filhas e acima de tudo souberam amar e ensinar o que vem a ser o amor. Os que compreenderam são igualmente felizes neste momento. Meu sangue pulsa o que elas foram e são, em cada traço meu.

Extinção


Quase tudo nesta foto foi extinto. O caminho está sob metros e metros d'água, não existe mais e o carro eu bati num poste e também não existe mais. Restou eu, com as lembranças de um tempo difícil e feliz. Tempo de viver e principalmente sobreviver. Cada manhã um desafio físico e inesperado, dias que não tinham como ser iguais. Cansada, recebia de presente um crepúsculo e o laranja do céu que estrelava mais tarde. Mirava até onde a água chegaria um dia e pensava somente em dormir. No silêncio ouvia bichos indecifráveis, criaturas desconhecidas que vinham abrigar na luz da minha choupana. Aceitava dividir o espaço, afinal de contas eu havia invadido o espaço que era deles. Não consigo entender a saudade que eu sinto de toda aquela dificuldade, daquele lugar perdido e distante. Um tempo de extrema solidão e companhia de mim mesma, mas que me surpreendia pelo modo de vida simples e desengonçado de toda aquela gente que também sobreviveu à água e paradoxalmente à falta dela. Seca, terra rachada, pés descalços e poeira nos joelhos. O céu estrelado me bastava para querer ver um outro dia nascer.

sábado, 5 de julho de 2008

Movimento




Hoje fui à quadrilha do meu afilhado e priminha. Na mesma escola, a mesma cena me chamou atenção pelo segundo ano consecutivo: uma garotinha dançava na cadeira de rodas. No ano passado tive vontade de falar com a diretora da escola que a dança era linda, mas que seria mais ainda se a garotinha tivesse seus movimentos mais explorados e dançasse com um coleguinha ao invés da professora dela. Se eu tivesse falado isso no ano passado, neste poderia ter sido diferente. Enfim, cheguei em casa e fui rever umas coisas sobre inclusão social e acabei encontrando uma cia de dança de BH (que eu gosto muito) que se chama Crepúsculo. São sete pessoas com necessidades especiais (paralisia cerebral e outras) e três bailarinas que compõem o grupo. A primeira vez que vi, chorei muito de emoção pela qualidade da dança, da música e do movimento.
Hoje pensei nas tantas deficiências que encontro por aí: falta de caráter, desonestidade consigo e com os outros, mediocridade e covardia. Pensei em minhas próprias deficiências, na ignorância, impaciência e intolerância.
Acima, fotos do crepúsculo cia de dança de Belo Horizonte, que me desperta o desejo de ir além.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Sintra-se em casa!


Essa é Sintra, uma cidade muito aconchegante de Portugal. Lá vi as vilas históricas que procurava e comi dos mais gostosos doces lusitanos. O clima deste lugar é diferente dos outros, lembra o cheiro bom da nossa mata atlântica. Sintra-se em casa também. Expie na janela à vontade, e mire o céu. Foi assim que cheguei até lá.

Prazer


Andar sozinha tem seus prazeres, este é um deles: um bom capuccino sob um vento de primavera num fim de tarde em Berlim. Esse ficará guardado para sempre, sobretudo pelo que me aconteceu neste minuto. Na Alemanha é comum pegarmos uma "carona" da capital para outras cidades. No caso iria à Jena, uma cidade universitária que o meu amigo desde o segundo grau mora. Teria que falar ao telefone com uma alemã sobre o lugar que ela me pegaria para irmos juntas à tal cidade. Ela falava tudo, menos inglês e português. Então ao telefone ainda, respirei fundo e pedi uns vinte minutos de pausa para eu tomar um café para depois pensar em como iríamos nos entender. Pois bem, a primeira cafeteria que eu vi, sentei. Lugar agradabilíssimo por sinal. O garçom veio, cumprimentou e uma vez que viu em minha blusa o nome Itália curiosamente (lá não é costume falar o desnecessário com as pessoas)perguntou: "Itália?". Eu: Não! Brasil! E ele: Ohhhh, eu sou bahiano! E nesse segundo mesmo gritei: Deus existe! Viva o Pelourinho! e rimos... o Garçom bahiano, primeira pessoa que conversei em Berlim, me orientou sobre o que dizer para minha "carona alemã" e fiquei, ali mesma, a escrever e a pensar sobre quem me dera se todas as vezes que eu estivesse aflita eu sentasse para tomar um café por aí... As soluções muitas vezes são mais simples do que esperamos.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Tulipas


Andava em outro ritmo quando encontrava as tulipas pelas ruas afora. Eram tantas e brotavam a cada dia mais, com cores impensáveis até então para as flores. Sensação de ter encontrado a primavera e com ela um novo ritmo para a vida. Tempo de parar para perceber as coisas, os acontecimentos e detalhes. Tempo meu, de andar no meu instante sem atropelar o que eu sinto, penso e desejo. Como dizia Lacan, instante de ver, compreender, elaborar...

terça-feira, 24 de junho de 2008

Para Rafael


Rafael tem um ano e mal consegue pronunciar o seu próprio nome. No entanto estava comigo no momento em que fiz essa foto e ele disse: "Iguejinha Pampulha"! Senti orgulho dele e ocorreu-me que depois de tantos lugares, descobri que não sou de lugar algum. Mas sei o que deixo neles e eles em mim.

Rafael meu pequeno lindo, a nossa "Iguejinha" pra você...