sábado, 26 de março de 2016

Feliz Páscoa!
Meu feriado favorito.

Eu não sei se é pelo significado de renascimento do meu nome que eu gosto de Páscoa. Tenho comigo que esta palavra desperta a nossa alma para uma esperança genuína de um futuro bom. Quem não gosta da possibilidade de renascer? É como se pudesse apagar tudo ou deixar todas as coisas ali num cantinho e virar uma página para começar tudo novamente. 

A Páscoa ainda traz uma mensagem de vida em abundância, um ensinamento crístico de superação e leveza. Um ensinamento da vida sobre a morte e das possibilidades de paz. Quem não se encanta com todos esses significados? 

Então, neste momento singelo do nosso calendário, eu aproveito para desejar um renascimento feliz a todos. Que possamos confiar em dias melhores que virão e no momento presente do agora, nossa real possibilidade que a cada respiração se renova em nosso peito. 

Rê nasça sempre que puder. É tempo de ser feliz. 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Olhos fechados, por que não?


Tem duas coisas que eu posso dizer que eu odeio. A primeira é fazer raio-x de algum dente e a segunda é colocar colírio para fazer exame oftalmológico e não enxergar nada durante um tempo.

A primeira porque eu sempre tenho dor. Não conseguia entender porque inventaram um objeto tão pontiagudo para colocar dentro da boca que faz sentir dor para tirar um simples raio-x. Coisa mais estúpida. Mas há pouco tempo entendi que para a maioria isso não dói. Eu faço parte de uma minoria que tem uma formação diferente de ossos mandibulares chamado tórus mandibular. Isso não altera nada na minha vida e nem é considerado um problema, mas que atrapalha um simples raio-x, atrapalha. Bom, para isso não há solução.

A segunda, é um ódio mais interessante. Bem mais interessante. É que o colírio tem duas fases difíceis. A fase um é a de ser colocado nos olhos e provocar ardência. A fase dois você precisa ficar vinte minutos com os olhos fechados para o processo de dilatação das pupilas.  Hoje em dia quem consegue um negócio desses? Vinte minutos no escuro parece uma eternidade. E quem é que gosta de pimenta nos olhos? Quem gosta, gosta nos olhos dos outros, não no seu.

Pois bem. Hoje vi que um dos ódios foi transformado, transmutado em encontro. Como? Ao ficar desconectada por vinte minutos, em silêncio e no escuro, eu tive que olhar para mim mesma, não para o celular ou para alguma situação externa acontecendo. Depois do primeiro minuto de aflição, eu senti uma serenidade atípica e um relaxamento expressivo da minha mente. Foi quase um sono acordada, um alívio mental, uma desconexão com o mundo e uma sintonia comigo mesma.

É interessante como as percepções mudam de tempos em tempos e como uma coisa que você não assimilava muito bem pode ter ressignificação. Oportunidades estão sempre aí para serem descobertas, mas principalmente serem vivenciadas. É só uma questão de dar chance para algo diferente acontecer no seu corpo, no seu dia, na sua mente, no seu espírito, na sua rua, na sua casa, no seu espaço e no seu mundo. Quando isso acontece é como se uma chave virasse uma fechadura para o que há do lado de fora de uma maneira diferente e interessante.

Voltei dos olhos fechados e estava tão contente de ficar uns minutos comigo mesma que até a consulta com o médico foi interessante. Ele pôde enxergar o meu problema de vista mas também o brilho nos meus olhos que vinham da contemplação de uma meditação. Não é lindo poder descobrir isso por acaso? Mais ainda é o bem que a gente se faz quando transformamos o mal estar em algo de bem estar. Então um salve aos nossos ódios que nos mostram como podemos nos conectar melhor com o que somos. De repente ele se transforma em algo bem melhor pra gente. Viva!

sábado, 21 de novembro de 2015


Hoje uma amiga comentou: "Estou adorando conversar com essas mulheres maduras que temos encontrado por aqui". 

Eu sempre rio quando ouço a palavra "amadurecer". Isso porque me lembro de uma conversa que eu tive com uma professora no meu curso de Psicologia. Estávamos falando sobre este termo e o quanto ele é pesado em nossas vidas. A partir dali eu sempre associo a palavra a algo que já está suficientemente pronto, acabado e quase perfeito. Isso pra mim acaba sendo uma podridão do corpo e da alma. Fruta madura cai do pé, está pronta para ser consumida. Pessoa madura está totalmente confiante de si, pronta, inacabada. É quase um sinal de já pode transmutar, já acabou o processo, não preciso de mais nada. 

Vai ver é por isso que nunca me vi madura e pensando em todas as pessoas que eu conheço na minha vida, não consigo encontrar nenhuma que seja. Somos todos inacabados, faltantes e com espaço de sobra pra absorver esse mundo todo de coisas que nos aparecem a cada instante. Entre a glória de ser uma pessoa referência no processo que nos faz evoluir pra uma consciência mais apurada do que somos na vida e a imaturidade leviana de ser alguém que ainda tem muito o que encarar, eu prefiro a parte número dois. Pessoas que se querem alcançar a maturidade são chatas, se perdem demais no processo tentando ser algo e acabam sendo deterministas de sei lá o quê e sei lá pra onde! O contrário também é chato, porque é quase que uma falta de noção do se portar diante das situações. Então correr pra onde? Pra lugar nenhum, porque não precisamos ser nomeados de nada, por favor! Não precisamos de tarjetas nos colocando no lugar de irresponsáveis, de corretos, de maduros, de sem noção. Precisamos só de viver e de alcançar nosso equilíbrio sagrado conforme nossa alma nos pede. 

Minha alma pede sempre pra eu não me encaixar nos padrões sobre o que é ser uma mulher ou sobre o que é alcançar a plenitude na vida. Minha alma pede pra não acumular mais do que experiências de trocas e rodas de conversa. Ela pede sossego e espaço para acontecer. Só acontecer e não cair do pé, jamais. Quando eu cair do pé, e quero virar energia. Energia imatura. Totalmente Eu. In natura. 

quinta-feira, 19 de março de 2015

Estive a pensar no tempo. Vez ou outra eu crio a ilusão de que tenho meu próprio tempo. Talvez isso seja uma forma de justificar o tempo gasto de forma inadequada em algum momento passado ou de colocar as coisas como eu quero. A verdade é que mesmo criando o meu próprio, o tempo é a única coisa no mundo que você não tem como enganar. Quando acha que o pegou, ele te dá uma rasteira fácil. Chronos não perdoa... Ele é o deus de todo destino. Se você nasce, já está em suas mãos sem escapatória. Pois bem, pela primeira vez estou aprendendo que o tempo tem seu próprio caminho. Como aprendo? simples. Vivendo em um lugar que o ciclo existe e as coisas acontecem e mudam segundo ele. Não acredito ter sabedoria maior do que vivenciar os ciclos das coisas através da natureza, outra deusa que tem muito o seu valor. Cheguei aqui no Verão, sem impacto. Os dias foram passando e veio o Outono com muitas mudanças: cores, formas, cheiro e sensação. O Outono veio amaciar e preparar o coração pro que devasta tudo, o Inverno. Mas como é interessante saber que a devastação também é parte do processo. Você acha que devastação mata tudo e não deixa rastro, mas é engano. A devastação simplesmente assegura a fortaleza que está para renascer. A devastação limpa e corta o passado para nascer um futuro novo e mais bonito. A neve cobre tudo que pisamos, tudo que está em nossas cabeças, tudo que precisa ser enterrado. Mas ela vai embora antes que o Inverno acabe. O que encobre vai dando lugar ao encoberto, com outro aspecto. O chão foi limpo, a passagem é clara e o tempo prepara a Primavera para fazer renascer tudo. Antes que ela chegue já consegue ver os sinais. A temperatura subindo lentamente, o frescor substituindo o frio cortante e os pássaros voando timidamente enquanto arriscam voltar para o caminho de antes. A luz é mais forte e você ouve a natureza se despreguiçando. Só quem tem olhos apurados percebe num primeiro instante. Tudo é muito discreto e nenhuma mudança é brusca. Outro aprendizado. 

domingo, 4 de janeiro de 2015

Frescura boa

Sempre ouvi dizer que etiqueta é frescura e coisa ligada a gente rica e bobagem. Confesso, sempre gostei de detalhes à mesa, mesmo simples, nem que fosse para mim mesma. Aliás, cultivar detalhes para o nosso próprio prazer é dar uma massageada boa na autoestima. O detalhe pode ser a disposição das coisas, a cor do alimento, a música no ambiente, um açúcar diferente no café. Qualquer coisa que traduza cuidado. E cá pra nós, quem não gosta? Até o mais louco anarquista, se bobe...ar gosta. E sobre isso, fui descobrir uma coisa bem interessante : etiqueta não é coisa de gente fresca, é coisa de gente que se preocupa com os outros. Como? Sim, verdade. As regras são criadas para a vida em sociedade, para uma convivência melhor e à mesa não é diferente. Na prática: a regra diz que quando terminar uma refeição, você deve colocar os talheres juntos, em posição lateral do prato. Pra que? Simples. Quando põe os talheres nesta posição, você está pensando no outro, naquela pessoa que vai recolher o seu jantar no restaurante, por exemplo. Além de significar que você terminou (e o garçom não precisar gastar saliva e perna perguntando toda hora), ajuda (e muito!) na segurança dele ou de qualquer outra pessoa que vá pegar o seu prato. Com os talheres ao lado direito e juntos, diminuem as possibilidades de algum acidente numa correria louca de trabalho e se você ainda tiver a boa vontade de juntar a sobra do alimento ao centro do prato, o garçom não se suja todo levando a enorme pilha para a cozinha. Todas as vezes que eu vejo alguém fazendo isso no restaurante eu fico contente. Mostra uma educação diferente, aquela não egoísta e refinada. Não é a coisa mais importante da vida e tampouco ninguém é obrigado a saber disso, mas se souber, ensine. Não custa nada e pode mesmo representar o cuidado com uma outra pessoa. Por que não ajudar em pequenas atitudes se o mundo está carente de frescura boa?

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Ano Novo Feliz

Morar em outro País é uma das experiências mais incríveis da minha vida. Não foi à toa que sempre quis e esperei por isso. Se você tem a oportunidade (e a coragem) de vivenciar isso, vai descobrir que pode avançar os seus próprios limites estabelecidos até o momento do seu embarque. Morar fora do País significa recomeçar a vida e ter o tempo como seu principal aliado porque não adianta correr contra ele. O tempo de aprender tem suas próprias decisões.
Aqui no Canada, eu vim descobrir muita coisa minha que estava ou encoberta ou acomodada, ainda que comodismo não seja uma palavra frequente no meu dicionário. O meu objetivo aqui é só aprender. Só. Não preciso ensinar nada, não preciso me cobrar nada. Só quero aprender. Aliás, o primeiro aprendizado é ver as coisas de maneira diferente. Acho que estou até conseguindo e a noite de ano novo foi um aprendizado que vou guardar para sempre.
Passei a virada do ano servindo pessoas estranhas, que nunca vi na vida. Passei o ano novo de preto, ao contrário de toda a minha vida em que vesti branco. Cheguei em 2015 cansada, depois de onze horas consecutivas de trabalho insano. Pensei na minha família, nos meus amigos, em quem gosto. Pensei também em milhares de pessoas que como eu estavam trabalhando naquele momento. Nunca havia pensado nelas antes.
Bom, tive três meia-noite. Três viradas. A primeira delas, a virada em Belo Horizonte com o fuso de três horas. Neste momento recebi uma enxurrada de mensagens no meu telefone e os desejos mais verdadeiros da minha família; a segunda foi a passagem em Natal, lugar que eu vivia antes e que fiz também muita história, pensando em pessoas que são especiais pra mim até hoje; a terceira foi a minha virada real, aquela que na contagem regressiva eu estava com uma bandeja de 9 taças de champagne para servir. Parei tudo quando começou o dez e procurei no salão imenso as pessoas que eu mais gostava ali, as que tenho convivido nesta minha aventura em Toronto. Procurei a Nyousha, uma iraniana fofa que eu adoro, o Ashkan que eu chamo de Harry Potter, a mãe da Nyousha que me abraça forte todos os dias e os meus três amigos brasileiros que dividem comigo essa experiência inusitada de servir: Matheus, Lucas e Amanda. À meia noite, pegamos essas taças e brindamos a chegada de mais um ano em nossas vidas, com saúde e disposição para encarar o novo. Fomos para o fundão da cozinha e nos abraçamos com a sensação vitoriosa de estarmos ali, sozinhos e distante de tudo que nos é caro. Fiquei pensando no que pensar disso tudo e eu tinha várias possibilidades. Optei por uma que tenho adotado há algum tempo na minha vida. Aquela em que mesmo em uma situação difícil você pode ter leveza e sabedoria. Depois de voltar ao trabalho com o gostinho bom de champagne na minha boca, pensei: centenas de pessoas pagaram 400 reais na minha moeda para essa festa. E eu? Eu recebi... Feliz Ano Novo, pessoal!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Carona do outro lado.

Estávamos congelando no ponto de ônibus, eu e um garoto de mais ou menos 16 anos. De repente, pára um carro, supostamente com os pais do garoto. Ele entra aliviado, esfregando as mãos e sorrindo. Olho pra ele, ele olha pra mim. Penso: que sortudo! E eles se vão. O carro anda duas giradas completas de pneu e volta de ré. O garoto desce o vidro e pergunta: onde você mora? Podemos te levar em casa? A primeira coisa que eu pensei foi não. A segunda foi dizer o meu endereço. Entrei... na velocidade da luz. A sensação era a mesma de comer um bolo de fubá feito por sua avó. Pensei: Viva quem inventou o aquecedor! Eles me trouxeram para a casa e descobrimos ser vizinhos. Sorrimos e eu agradeci muito. Quando perguntei de onde eram, curiosamente responderam: Afeganistão. A-fe-ga-nis-tao? Aquele País que outro dia publiquei barbaridades vindas de la? Sim, aquele País que outro dia critiquei as leis e as burcas. A esposa, inclusive, tinha uma cobrindo os cabelos e parte do rosto. Pensei novamente: Viva quem inventou o aquecedor. Viva quem inventou o aquecedor de corações que pode derreter tudo, até os nossos preconceitos.

sábado, 19 de julho de 2014

Paciência

Em alguns momentos da vida, aprendemos que o controle se esvai por entre os dedos.
Não adianta você fazer nada: gritar, esbravejar, correr, lutar, pensar. Tudo é em vão.
São lições forçadas que você não queria mas que chegam até você, caem de para-quedas e  tem apenas que suportar com resiliência e paciência. Paciência... a ciência da paz. Contraditório, como muitas coisas que pensamos e vivemos. Pra mim não há paz na paciência, há espera. Quem é que gosta de esperar e fica em paz esperando? Mas não é de tudo perdido. Enquanto esperamos o mundo se encaixar novamente, ocupamos o tempo com pequenas buscas. Um afazer prazeroso, uma conversa boa, uma brincadeira inocente, uma notícia explorada, um filme visto. E assim passam as vinte e quatro horas e "tapeamos" a espera, como quem não quer nada.
Paciência é você consumir os dias e não deixar que eles te consumam.
 

segunda-feira, 3 de março de 2014

Marca

Tem coisas sociais que marcam a nossa vida de maneira singular: o primeiro beijo, a festa de 15 anos, a formatura do colégio, a entrada para a universidade, o primeiro sexo, o trabalho tão esperado, o pedido de casamento, o vestido de noiva, a notícia da gravidez, o parto, a primeira vez que o filho andou e por aí vai. Mas tem uma coisa que marca muito e essa, deixa o rastro com ferro no corpo da gente. A morte. Quem já perdeu alguém sabe que a dor dela não se compara à pior crise renal, ou à dor mais crônica que possa existir na face da terra. Não. A morte faz questão de ser ela própria, sem nada o que comparar. E ela vem pior ainda quando não leva a pessoa que morreu. Quando é simbólica e metafórica. Quando descreve o seu fracasso enquanto pessoa, que não consegue vence-la. Hoje eu senti a morte da separação novamente. Depois de tantos anos e de ter esquecido como era, ela voltou, sem dó nem piedade. Meus cinco anos com ele se foram e a marca está inscrita duplamente em mim, no meu coração e nas minhas mãos, pois quando tirei a aliança percebi que ela já tinha afundado o meu dedo anular direito e colorido de branco o seu espaço. Nessa hora não há café, chá, vinho e cachaça que resolva o problema. É a hora de sentir o buraco e quem já passou outras vezes por isso sabe que o melhor é nem tentar fecha-lo. O mais sensato é botar sal grosso e deixar doer até não querer mais. Até a morte se esvair e sumir na lembrança de todas as coisas que foram vividas. Expectativas são ilusionistas da morte. Hoje eu morri um pouco.

sábado, 1 de março de 2014

Quase dois anos sem escrever no blog, resolvi lê-lo nessa madrugada.
Tinha a impressão que aqui só tinham coisas pesadas do passado, aquilo que a gente coloca num baú de madeira velho e deixa, por décadas, pegar poeira. Mas me surpreendi com as palavras de afeto nos momentos difíceis, com algumas descobertas leves e com a boa dose de otimismo que eu tinha da vida quando escrevi essas letras.
 
Na correria das "vidas sociais", deixei de escrever pra mim. Não deveria. Estou de volta.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Transparência

De passagem pelo Rio de Janeiro resolvi comprar uma sombrinha transparente. Há tempos não via um milagre caindo do céu.
Cega que eu sou.
Dormi feliz, estou aprendendo a agradecer... e tudo fica mais fácil.


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Qual a sua escolha?

"Para o mal triunfar, basta que homens de bem se omitam". Edmund Burke, Filósofo e Pensador

sábado, 1 de outubro de 2011

Pela rua, a pé. Finalmente.

Acordei, saí , e para minha surpresa: hoje a rua tinha cheiro de liberdade ! Percebi que dela nasce tudo, até o amor...


A vitória está começando pra mim.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Vazio

Quando não tem nada, dá pra construir tudo.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Provérbio

" Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe..."
Mas que custa a passar, custa.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Dias melhores...

Quando a gente resolve mexer em caixa de marimbondos, o risco da picada existe. E a picada dói.
Não aguentando mais, resolvi denunciar publicamente a covardia que me limita. Tem hora que você precisa ir até o fim pra não perder de vista quem é e o que quer pela frente. Denunciei o ex presidente covarde sim. Que gosta de me pegar quando estou sozinha, quando pensa que é mais forte que eu.

Mexer nisso fez vir a tona os pesadelos, as outras pessoas similarmente covardes que compactuam caladas com as barbaridades que vêm.

Por algum tempo me entristeceu a idéia de isso ser uma causa de uma anã contra um gigante. Mas vejo que pode ser diferente quando a dignidade é a única coisa que sobra. Essa é nossa grande diferença.

A resignação foi a minha escolha até aqui. Continua, amparada na tentativa de mudar aquela velha triste história brasileira de que não adianta. Adianta sim. Você que pensa que as coisas não adiantam, fique sabendo que você é responsável por essas coisas não se resolverem à medida que você desiste de denunciar, de falar, de lutar.

São mais de 5.200 mulheres que morrem por ano por crimes passionais ou por casos como o meu. Que falta faz cada uma delas pro Estado? E pra suas famílias? Na Austrália quando uma pessoa mergulha próxima à águas vivas letais e acontece um acidente, quando ela sobe para a superfície tem helicóptero para socorrê-la. Uma vida vale muito. Somos de um País que uma vida não vale nada. Que quando discute um crime passional, discute se a menina estava tendo caso ou não, se usava roupa curta ou não. Um País que quando assiste atônito a um caso de assassinato seguido de estupro diz: Mas também... a mulher facilitou , olha a roupa que ela estava usando ! Não é esse o ponto. Quem me conhece sabe a roupa que uso, a maneira reservada que tenho, mas quem não me conhece não tem o direito de achar que qualquer coisa seja o motivo para alguém me perseguir covardemente, tirando meu sossego , meus sonhos e minha paz.

Quem nunca fez a pergunta: Será que ela teve um caso com ele? Será? Será? Respondo: Nunca tive nada, mas e se tivesse tido? Seria justificativa pra fazer o que ele está fazendo? Quantas pessoas têm casos por aí , se apaixonam, se casam, se separam? Elas têm motivo para quando se separam querer matar umas às outras? Não tive caso nenhum, respeitava a pessoa que sou e a que estava comigo na época. Mas se ficam tranquilos com a resposta, deleitem-se sobre ela porque não importa mais pra mim.

Quero paz e somente isso. Quero poder viver os meus 32 anos , planejar minha casa, minha família e meu futuro com alguém que não se sinta ameaçado por isso também. Quero postar uma foto em um site de relacionamento de uma viagem que fiz sem me preocupar em deixar resquícios de onde estou; Quero falar ao telefone com quem eu quiser como antes, contando histórias longas e engraçadas sobre o dia, a situação ou a semana; Quero andar pelas ruas sem pensar que o carro parado ao lado pode abrir a porta a qualquer momento e de lá sair uma pessoa com uma arma na mão que vai me empurrar pra dentro dele e fazer novamente todas aquelas torturas; Quero que minha mãe e a família toda pare de chorar de medo e revolta.

Viver assim é viver no inferno, em plena terra. Não mereço isso e quero justiça. Chega. Não aguento mais.

domingo, 28 de agosto de 2011

Furacão Irene

O furação passou. Um final de semana e muita tempestade.
Mas passou.
Vida normal agora.
Tudo passa... que bom.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Liberdade Provisória

Liberdade provisória é a contradição da contradição.


Liberdade não é coisa que existe por tempo determinado, há os que são livres e os que não são.

Existem livres e criminosos. Eu sou livre.

E o Brasil é retardado.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Inteligente, eu?

Rafael é meu primo, ele é pequenininho.

"Papai ... se juntar eu, o João Vitor da minha sala e a Renata ... forma um bando de gente inteligente..."

"Mas por quê Rafa? "

"Papai, eu, porque sou muito inteligente... o João Vitor porque sabe que isto daqui ( aponta para o nariz dele ) é narina, e a Renata porque ela sabe que tudo que comemos não fica na nossa barriga ! "

Fiquei até com vergonha do título que recebi ... mas me senti lisonjeada e feliz.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Magestade

" Se meu povo não é livre, eu também não sou ".
Mandela.