sábado, 5 de julho de 2008

Movimento




Hoje fui à quadrilha do meu afilhado e priminha. Na mesma escola, a mesma cena me chamou atenção pelo segundo ano consecutivo: uma garotinha dançava na cadeira de rodas. No ano passado tive vontade de falar com a diretora da escola que a dança era linda, mas que seria mais ainda se a garotinha tivesse seus movimentos mais explorados e dançasse com um coleguinha ao invés da professora dela. Se eu tivesse falado isso no ano passado, neste poderia ter sido diferente. Enfim, cheguei em casa e fui rever umas coisas sobre inclusão social e acabei encontrando uma cia de dança de BH (que eu gosto muito) que se chama Crepúsculo. São sete pessoas com necessidades especiais (paralisia cerebral e outras) e três bailarinas que compõem o grupo. A primeira vez que vi, chorei muito de emoção pela qualidade da dança, da música e do movimento.
Hoje pensei nas tantas deficiências que encontro por aí: falta de caráter, desonestidade consigo e com os outros, mediocridade e covardia. Pensei em minhas próprias deficiências, na ignorância, impaciência e intolerância.
Acima, fotos do crepúsculo cia de dança de Belo Horizonte, que me desperta o desejo de ir além.

Trocadilho

Só eu mesmo,

mesmo eu Só

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Diariamente

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Existem coisas que ainda que as repita em outro tempo, não fazem o mesmo sentido. Mas há sempre a possibilidade de relembrar de um jeito diferente a lembrança boa do que passou. Ainda que não volte, chega um momento que esse traço deixa de ser dor e vira saudade, que pode doer ou não. "Diariamente" retratava meus dias num lugar que tinha paixão e amor misturados. Lugar que quando pisava na terra, acontecia tudo que era magia dentro de mim. Encontro com a virtude mais difícil de encontrarmos, segundo os filósofos: A Simplicidade. Hoje encontrei perdido nas minhas coisas um cartão que eu mesma comprei pra mim escrito " Sejam simples", e nele uma formiga com uma palha na boca e uma minhoca com chapéu de campo. Nasci na cidade grande, mas a primeira vez que pisei nesse lugar, que encontrei pessoas que não se importavam com a roupa que eu estaria usando e nem se eu tinha cara ou não de psicóloga, me encontrei, de certa maneira. "Diariamente" retrata isso e muito mais. Fala de momentos inesquecíveis, simples, como tomar banhos deixando a água se misturar com os sonhos. Escrevo agora e relembro com uma vontadezinha de chorar, mas em pouco tempo isso vai ser motivo de rir ao lembrar de uma parte da minha vida que se foi por motivo compulsório, não por escolha minha. Se há agora um desejo realmente verdadeiro em mim, é o de que eu possa não me petrificar com tudo que me aconteceu e continuar reconhecendo o valor da simplicidade nas coisas e pessoas. Diariamente...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

The call


Meu tio Fábio me mandou esse vídeo hoje dizendo que se lembra de mim quando ouve essa música, sem saber muito do motivo. Eu gostei da lembrança e da música também.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Sintra-se em casa!


Essa é Sintra, uma cidade muito aconchegante de Portugal. Lá vi as vilas históricas que procurava e comi dos mais gostosos doces lusitanos. O clima deste lugar é diferente dos outros, lembra o cheiro bom da nossa mata atlântica. Sintra-se em casa também. Expie na janela à vontade, e mire o céu. Foi assim que cheguei até lá.

Relembrar

Hoje fui à uma missa de formatura. Revivi o meu momento, há cinco anos atrás. Lembrei do sabor da conquista, da felicidade por ter conseguido até alí, do choro dos meus pais, dos abraços recebidos, da promessa de fazer um País mais justo com o que aprendi e principalmente do desejo de resgatar as pessoas dos seus próprios fantasmas para o conhecimento dos seus próprios desejos.
Acho a minha profissão uma das mais bonitas do mundo. Primeiro porque não foi fácil esquecer tudo que aprendi na vida para compreender a lógica da mente; Segundo que poder ajudar alguém a ter outro olhar sobre o seu olhar das coisas, é satisfação infinita.
Depois de cinco anos, vi que não deixei de lado o que aprendi nem na faculdade, nem na vida. Esse equilíbrio me faz ter os pés no chão e ao mesmo tempo desgrudá-los desse lugar quando tudo está numa realidade real por demais. O meu voar é escrever. Na escrita posso ser tudo, até Psicóloga de mim mesma.

Prazer


Andar sozinha tem seus prazeres, este é um deles: um bom capuccino sob um vento de primavera num fim de tarde em Berlim. Esse ficará guardado para sempre, sobretudo pelo que me aconteceu neste minuto. Na Alemanha é comum pegarmos uma "carona" da capital para outras cidades. No caso iria à Jena, uma cidade universitária que o meu amigo desde o segundo grau mora. Teria que falar ao telefone com uma alemã sobre o lugar que ela me pegaria para irmos juntas à tal cidade. Ela falava tudo, menos inglês e português. Então ao telefone ainda, respirei fundo e pedi uns vinte minutos de pausa para eu tomar um café para depois pensar em como iríamos nos entender. Pois bem, a primeira cafeteria que eu vi, sentei. Lugar agradabilíssimo por sinal. O garçom veio, cumprimentou e uma vez que viu em minha blusa o nome Itália curiosamente (lá não é costume falar o desnecessário com as pessoas)perguntou: "Itália?". Eu: Não! Brasil! E ele: Ohhhh, eu sou bahiano! E nesse segundo mesmo gritei: Deus existe! Viva o Pelourinho! e rimos... o Garçom bahiano, primeira pessoa que conversei em Berlim, me orientou sobre o que dizer para minha "carona alemã" e fiquei, ali mesma, a escrever e a pensar sobre quem me dera se todas as vezes que eu estivesse aflita eu sentasse para tomar um café por aí... As soluções muitas vezes são mais simples do que esperamos.